Sachetti quer ação jurídica para conter gastança de seus diretores
Fernando Ordakowski
Com o presidente Adilton Sachetti sem tanta autonomia financeira, os diretores Yuri Bastos (Assuntos Estratégicos) e Carlos Brito (Infraestrutura) "torram" dinheiro público com pretexto de proporcionar melhor estrutura à Agecopa
O presidente da Agecopa Adilton Sachetti recorreu ao Palácio Paiaguás para ajudá-lo a blindar o caixa da autarquia responsável por elaborar e executar projetos milionários no sentido de preparar a Grande Cuiabá para o Mundial de futebol de 2014. É que o ex-prefeito de Rondonópolis percebeu a perda de autonomia financeira sobre os diretores, principalmente para conter a "gastança" apresentada por Carlos Brito (Infraestrutura), Yuri Bastos Jorge (Assuntos Estratégicos) e Yênes Magalhães (Planejamento). Enquanto eles abrem a torneira, Sachetti tenta fechá-la. A maior reclamação do presidente é junto ao ex-governador Blairo Maggi, que o nomeou ao cargo. Maggi tem atuado como conselheiro de Sachetti.
Com repasses do Estado, financiamento junto a instituições financeiras e parcerias, a Agecopa deve movimentar mais de R$ 6 bilhões. Sachetti quer incluir na estrutura ao menos dois advogados para orientar, criar regras e controle no âmbito jurídico. Acha que os trâmites burocráticos vão ajudar a conter despesas exageradas. Seria a única alternativa para seus diretores não mandarem tanta conta para a Agecopa pagar. A missão é planejar, executar, controlar, fiscalizar e coordenar os projetos especiais. Caso não consiga êxito, Cuiabá ficará de fora da Copa do Mundo a ser realizada daqui a quatro anos. Somente de repasse do Estado, por meio de um Fundo, a Agecopa receberá R$ 1 bilhão até 2013.
Alguns procedimentos revelam, na prática, que o presidente perdeu o controle dos gastos nesta fase de montagem de estrutura, embora tenha Jefferson Castro (Orçamento e Finanças) como responsável pelo setor. A cada dia Sachetti se surpreende como compra de novos equipamentos. Quando questiona as aquisições, ouve quase sempre como resposta que "seria necessário" e que "não se pode ficar enrolando e parado da burocracia".
Além de problema no controle do caixa, Sachetti se depara com outra situação conflitante e curiosa. Acontece que ele pertence ao time mais técnico que representa minoria na hora da decisão colegiada. Dos 7 da diretoria, quatro vieram da militância político-partidária, sendo eles Brito, Yuri, Roberto França (Comunicação e Marketing) e Agripino Bonilha Filho (Interinstitucional). Com mais visão técnica estão o próprio Sachetti, Yênes e Jefferson.
Essas discussões têm gerado insatisfação. Na hora de debater, por exemplo, a demolição do estádio governador José Fragelli, o Verdão, os mais políticos, ao invés de se atentar às regras técnicas impostas pela Fifa, trazem para o debate a questão do sentimentalismo, o risco de haver desgaste e o fato de contrariar aqueles que defendem construção de um outro estádio. É nessa hora que surgem bate-boca, afinal o novo estádio com capacidade para 48 mil pessoas sentadas custará R$ 430 milhões. A ala política é "mais flexível", enquanto o corpo técnico se mostra mais duro nas decisões.
Improviso
Enquanto o prédio do antigo Moitará Center, no bairro Goiabeiras, não fica pronto para abrigar a sede da Agecopa, os diretores e alguns servidores já nomeados dividem espaço em salas do ginásio Aecim Tocantins. Até na ocupação de salas, os diretores técnicos perdem para os políticos. Numa sala ficam Sachetti, Yênes e Jefferson. Numa outra estão Brito e Yuri. Já França é "dono" de uma sala e, Bonilha, de outra.
Com o cronograma de projetos e obras atrasado, os diretores batem-cabeça. Continuam na fase de elaboração de propostas para obtenção de financiamento. Brigam também por nomeação de vários dos 80 cargos que ainda estão vagos e com salários acima de R$ 2,8 mil. Constam, por exemplo, sete cargos de assessor especial, com subsídio de R$ 7,5 mil. Trata-se do segundo melhor salário. A melhor remuneração é paga aos sete diretores, que recebem R$ 12,2 mil.