Cuiabá, 05/10/2026

Visto como uma esperança anticorrupção em 2014, Taques se torna 1º governador não reeleito em MT

Rodinei Crescêncio

Taques teve carreira meteórica, sendo eleito senador em 2010 e governador em 2014; Neste ano, quebra tradição

Desde a nova República, período posterior ao fim da ditadura militar, os governadores mato-grossenses que tentaram a reeleição conseguiram se manter no cargo. Neste ano, porém, a tradição foi desfeita e o governador Pedro Taques (PSDB) ficou em terceiro lugar na disputa ao Executivo estadual. A possibilidade da reeleição foi estipulada pela chamada Emenda da Reeleição, que passou a vigorar em 1998.

O tucano perdeu para o ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (DEM), que conquistou 58,69% do eleitorado. Em segundo ficou o senador Wellington Fagundes (PR), com 19,56%. Taques ficou em terceiro lugar na disputa, com 19% dos votos.

Ex-procurador federal, cargo que ocupou por 15 anos, Taques deixou a função para entrar na vida política. No mesmo ano em que pediu exoneração no Ministério Público Federal (MPF), em 2010, disputou o Senado Federal e foi eleito.

Em 2014, Taques deixou o Senado para disputar o Executivo estadual. Responsável pela prisão do bicheiro João Arcanjo Ribeiro, um dos criminosos mais famosos do Estado, o político utilizou a luta contra a corrupção como mote de sua campanha ao Governo.

Na disputa ao Palácio Paiaguás, registrou 833.788 votos, o que representou 57,25% dos votos válidos, e venceu em primeiro turno. Na época, seu maior adversário era o petista Lúdio Cabral, que teve 472.507 votos, equivalente a 32,45%.

Com a missão de combater a corrupção em um Mato Grosso saqueado pelo antecessor Silval Barbosa, Taques assumiu o Estado em 1° de janeiro de 2015. Nestes três anos e nove meses, viu seu governo passar por diversos imbróglios.

Escândalos de corrupção, casos de grampos ilegais, impasses com servidores e promessas de conclusão do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), cuja obra sequer foi retomada em sua gestão, estão entre fatos que contribuíram para que Taques não fosse reeleito.

Em meio aos diversos problemas enfrentados por sua gestão, Taques deixou de ser a promessa de salvação. Passou a ser considerado maior inimigo do funcionalismo público, ao enfrentar problemas para conceder a Revisão Geral Anual (RGA) à categoria.

O mote anticorrupção foi deixado de lado após ser mencionado em delações premiadas e ter, em sua gestão, escândalo envolvendo fraudes em licitações na Educação.

Taques deixa o governo como uma promessa que nunca foi cumprida. Para muitos, teve boa intenção. Mas a falta de experiência no Executivo e as dificuldades na lida com políticos, aliados e servidores públicos pesaram contra aquele que era tido como a salvação do período pós-Silval Barbosa.