A céu aberto, venezuelanos acampam na Rodoviária e sonham com recomeço veja
Rodinei Crescêncio
Famílias de venezuelanos improvisam acampamento com lonas e redes em terreno ao lado da Rodoviária de Cuiabá, desde o dia 1º de janeiro
Um grupo de 7 famílias venezuelanas, de 20 pessoas, entre crianças, adultos e idosos, estão em acampamento num terreno de eucaliptos que dá acesso para a Rodoviária de Cuiabá, na avenida República do Líbano, um dos pontos mais movimentados da Capital, em direção ao Centro Político.
Segundo uma jovem venezuelana de 23 anos, que preferiu não se identificar, eles chegaram a Cuiabá em 1º de janeiro. Mas, no Brasil, estão por volta de um ano. Antes da Capital, estavam em Manaus (AM) e conta que “pouco a pouco” foram chegando a Mato Grosso. Questionada, contou que viajam todos juntos, nunca separados.
Os venezuelanos armaram redes nos eucaliptos. Quando a reportagem do #rdnews chegou ao acampamento, nesta quinta (09), a venezuelana estava sentada e acompanhava o trabalho de uma senhora, que arrumava a costura de uma roupa. Outra senhora, além duas crianças por volta de 10 anos, dormiam mais ao fundo.
Naquele momento, por volta das 9h, todos os homens da família tinham ido para pontos públicos e movimentados da cidade para pedir emprego. Algumas crianças também os acompanharam, o que já foi proibido pelo Conselho Tutelar e Ministério Público. Por ora, pretendem ficar em Cuiabá, que não foi escolhida de forma pensada. A certeza de fixar em um ponto, e não ficar como nômades, vem com trabalho, segundo a venezuelana.
Rodinei Crescêncio
Enquanto os homens das 7 famílias de venezuelanos estão em busca de dinheiro, mulheres cuidam do acampamento montado em área pública
Conta ainda que o Poder Público não ajudou ou procurou para prestar assistência. Apesar de acamparem em um ponto próximo a uma região de drogas, ninguém foi violento com o grupo estrangeiro. Cuiabanos têm ajudado com alimentos e roupas. Numa parte do acampamento, a reportagem viu a bagagem dos estrangeiros e alguns pacotes de comida, como arroz e pão de forma.
“Saímos de nosso país para pedir ajuda”, disse. Apesar de viajarem em grupo grande, disse que muitos parentes ainda estão na Venezuela - país em crise econômica severe -, e passam por dificuldades. “Precisamos também levar comida para as nossas famílias”.