Detentos reformam celas e os agentes dormem na sala de aula da PCE veja fotos
O deputado estadual João Batista do Sindispen (Pros) esteve na Penitenciária Central do Estado (PCE) nesse sábado (17) para verificar as condições da unidade e como estão os agentes penitenciários que reforçam a segurança do local há uma semana, quando foi deflagrada a Operação Elisson. O parlamentar, que é agente penitenciário de carreira, disse que ficou surpreso ao passar o dia na PCE. “Diante de tanta coisa que tem sido dita, parece que lá está revolucionado, mas fui nos raios, está tudo sob controle”, relata ao #rdnews.
Assessoria
Deputado João Batista verifica condições de trabalho dos agentes prisionais que estão trabalhando na Operação Elisson
A situação na unidade prisional onde mais de 2 mil presos cumprem pena é de reorganização. Apesar dos relatos de tensão que marcaram o início da operação, aparentemente, a rotina volta ao estado de normalidade na penitenciária. Para que o trabalho de reforma seja efetivado, os presos foram divididos. Enquanto parte deles se desdobram em fazer a reforma, outros ficam nas quadras, onde aproveitam, inclusive para realizar campeonato de futebol, conforme relata João Batista.
O deputado cita o exemplo do Raio 4, onde existem 12 celas, das quais seis delas estão sendo reformadas, enquanto os presos permanecem nas quadras. Outras seis celas permanecem trancadas. “Depois que foram retirados os excessos de coisas que tinha lá dentro agora está sendo ampliado o número de camas de concreto nas celas. Algumas dessas camas tinham sido quebradas para colocar freezer”, detalha. No Raio 5, conhecido por abrigar criminosos conhecidos por chefiar facções, a aparente normalidade também está sendo mantida.
Na segunda (12), quando foi iniciada a Operação Elisson pelo Sistema Penitenciário, a intenção era combater o poder do crime organizado dentro da unidade prisional, que é a maior do Estado. A última semana foi marcada por incertezas e tensões, principalmente, porque foram restringidos os acessos de advogados e familiares na unidade. O murmúrio de que um “salve geral” iria ser iniciado como resposta à Operação chegou a causar alerta na população.
Agentes Prisionais
“Os nossos servidores evoluíram muito, não é mais tiro, gás e bomba, eles agora sabem que são os responsáveis por manter a segurança e disciplina das unidades, para que os demais componentes implantem o trabalho e a educação. E resgatar pelo menos aqueles jovens que queiram sair do mundo do crime e do domínio das facções. Este é o momento”
Deputado João BatistaPara a realização da Operação, agentes prisionais vieram do interior do Estado para reforçar a segurança dentro da PCE. O deputado João relata que os profissionais estão alojados praticamente junto com os presos. “A sala de aula dos presos foi limpada e os agentes estão alojados lá. Foi opção dos próprios agentes para garantir a segurança da unidade”, relata.
João cobra o Estado para que não se omita em relação ao pagamento das diárias aos agentes que se deslocaram do interior. “Porque essas pessoas deixaram família no interior, e vieram para a Capital. Às vezes vêm e ficam 30 a 60 dias para receber as diárias, acho isso injusto”.
Virada de chave
O deputado, que preside a Comissão de Direitos Humanos na Assembleia, avalia que o Estado tem uma oportunidade ímpar de virar a chave do sistema prisional e obter de fato o controle. “Se não for agora não será mais, o que aconteceu no Tocantins, Amazonas e Maranhão, é o momento do Estado não deixar acontecer aqui, mostrar que tem o controle”.
O deputado aponta que um ponto positivo que auxilia nesta mudança é a nova mentalidade dos agentes prisionais. “Os nossos servidores evoluíram muito, não é mais tiro, gás e bomba, eles agora sabem que são os responsáveis por manter a segurança e disciplina das unidades, para que os demais componentes implantem o trabalho e a educação. E resgatar pelo menos aqueles jovens que queiram sair do mundo do crime e do domínio das facções. Este é o momento”, concluiu.