Cuiabá, 22/10/2026

Diretor de hospital afirma que se houve falhas, não foi do seu conhecimento - leia

Rodinei Crescêncio

Médico Arnaldo Sérgio Patricio, diretor geral do Hospital São Judas Tadeu, comenta denúncias de técnica em enfermagem sobre negligências na unidade

“Não tem ninguém mais interessado em saber do que eu”, diz o diretor geral do Hospital São Judas Tadeu, o médico Arnaldo Sérgio Patricio, sobre as denúncias que apontam supostas irregularidades no atendimento a pacientes com Covid-19 (a doença causada pelo coronavírus). Já são cinco boletins de ocorrência registrados contra a unidade apontando possível negligência e situações de maus-tratos. Arnaldo diz que é a primeira vez que passa por uma situação desse tipo e que, “se houve alguma falha, não foi do meu conhecimento”.

Ao #rdnews, o médico não teceu comentários sobre as alegações e que está abrindo as portas para órgãos de fiscalização e apuração. O diretor do hospital já recebeu agentes da Polícia Judiciária Civil, Conselho Regional de Medicina (CRM) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren). “Vamos aguardar a apuração dos fatos. A gente vai prestar todos os esclarecimentos necessários”.

O primeiro boletim de ocorrência foi registrado pela técnica de enfermagem Amanda Benício, de 38 anos, citando o caso da suposta negligência no atendimento ao major PM Thiago Martins de Souza, que morreu aos 34 anos em decorrência do coronavírus. Sobre ela, Arnaldo disse que ela foi demitida “por condutas que não eram compatíveis com a empresa”. A nota do hospital aponta que o BO registrado pela profissional é uma forma de vingança por ter sido demitida.

Rodinei Crescêncio

Conforme as denúncias aparecem, ele disse que busca rebatê-las. Mas afirma que não aconteceu episódios no hospital de desligar oxigênio e demais irregularidades como descrito nas denúncias. O médico fala também que nunca faltou medicamento na unidade e que o consumo de oxigênio foi cinco vezes maior que o normal. “Como gestor do hospital, nunca faltou nada”, diz.

“Vamos aguardar a apuração dos fatos. A gente vai prestar todos os esclarecimentos necessários”

Afirma diretor do hospital, Arnaldo Patricio

Atuação do hospital na pandemia

Nesse primeiro ano da pandemia, Arnaldo disse que a média de atendimento de pacientes foi de 50 a 60 por dia. “Quando o hospital está em uma pandemia, é uma coisa impressionante. Tem gente em todo lugar, passando mal, procurando auxilio. Buscamos atender o melhor que podemos”.

Conta que na unidade não tem UTI. “Temos unidade de estabilização”. Quando o paciente precisa de uma Unidade de Terapia Intensiva, o diretor do hospital diz que busca deixá-los vivos até que chegue a transferência para outros hospitais.

No caso do SUS, aguardam a Central de Regulação do Governo, caso os familiares do paciente resolvam não arcar com o próprio custo de internação em uma unidade privada.

Durante a atuação da pandemia, os profissionais da saúde também pegaram Covid-19, foram tratados no hospital sem custo e não foi registrada nenhuma morte. Conta que aconteceu muito dos profissionais ficaram doentes bem nos dois picos da pandemia. “Nessa segunda onda, quando você mais precisa dos profissionais, eles ficaram doentes”, diz.

Nessa situação, Arnaldo conta que eles eram afastados, por mais leves que fossem os sintomas, além de serem mantidos em isolamento por 14 dias. Assim buscavam contratar profissionais rapidamente para suprir a falta. “A gente aumentou nosso índice de funcionários em 35% de janeiro a janeiro”, pontua.

Investigação na Polícia Civil

As denúncias contra o médico são investigadas em inquérito conduzido pela delegada Luciani Barros Pereira de Lima, da 2ª Delegacia de Cuiabá (Planalto). Ela já ouviu a técnica de enfermagem e também familiares de cinco pessoas com Covid-19 que passaram pelo Hospital São Judas Tadeu. Câmeras de segurança do hospital foram coletadas, além da análise de prontuários médicos dos pacientes envolvidos.