Cuiabá, 17/09/2026

Em ato, trabalhadores dos Correios alegam sobrecarga por déficit de pessoal e reivindicam melhorias

Funcionários em Cuiabá aderiram à greve nacional na semana passada e protestaram nesta quinta

Os trabalhadores das agências dos Correios de Mato Grosso realizaram, na manhã desta quinta-feira (17), um ato público no Centro de Cuiabá para reivindicar melhorias nas condições de trabalho da categoria. Os funcionários já haviam aderido à greve nacional por tempo indeterminado, aprovada em assembleias realizadas na semana passada.

Em entrevista ao #rdnews, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos de Mato Grosso (Sintect-MT), Luciano Gomes da Rocha, afirmou que um dos pedidos da categoria é para que a empresa olhe para o desgaste que os funcionários vêm sofrendo devido ao déficit na equipe.

João Aguiar/Rdnews

"Os Correios estão, desde 2011, sem concurso público. Teve um concurso há dois anos, mas até agora ninguém foi chamado. Então a precarização a população já está sentindo faz tempo. Nós éramos quase 2 mil trabalhadores aqui em Mato Grosso, lá no ápice de 2016. Agora é pouco mais de 897, menos da metade. A sobrecarga é geral, tanto para os carteiros quanto para o atendimento", explica Luciano.

Luciano relata que cerca de 1000 agências dos Correios foram fechadas durante a reestruturação da empresa. O presidente do Sintec-MT ressaltou que um dos grandes medos da categoria é que o processo de sucateamento resulte em um final nada agradável aos trabalhadores: a privatização.

João Aguiar/Rdnews

A categoria reivindica também, em âmbito nacional, melhorias nas condições de trabalho, um novo reajuste de salário e a manutenção dos planos de saúde.

"As modificações na reestruturação da empresa que eles estão fazendo precarizam ainda mais o serviço para a população e também a qualidade, as condições de trabalho de todos os funcionários. Então, a nossa reivindicação vai perdurar até que se resolva", comentou Luciano.

Quanto às operações nas agências, Luciano reforçou que as equipes seguem cumprindo a exigência de 30% de funcionamento. O representante explicou ainda que, nos últimos anos de reivindicações, todas as decisões vêm sendo levadas a dissídio coletivo, ou seja, aos Tribunais Regionais do Trabalho ou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), não havendo acordo entre empresa e funcionários.

"Já foi até marcada para segunda-feira [21] a reunião no TST, para decidir o que vai vir por aí. Mas a nossa pressão é para manter as cláusulas que já existem no acordo coletivo, que não retirem direitos e nos deem condições de exercer nossas atividades", pontua.

João Aguiar/Rdnews

Por fim, Luciano reforçou que a greve seguirá, mais uma vez, até o dissídio coletivo e, caso não haja um acordo que agrade à categoria, a ideia é que a mobilização se torne cada vez maior. "Não tem condição. Está insustentável a gente trabalhar dessa forma. A gente não consegue, não dá para se manter no local de trabalho com esse sucateamento que a empresa está fazendo", finalizou.