Os trabalhadores das agências dos Correios de Mato Grosso realizaram, na manhã desta quinta-feira (17), um ato público no Centro de Cuiabá para reivindicar melhorias nas condições de trabalho da categoria. Os funcionários já haviam aderido à greve nacional por tempo indeterminado, aprovada em assembleias realizadas na semana passada.
Em entrevista ao
, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos de Mato Grosso (Sintect-MT), Luciano Gomes da Rocha, afirmou que um dos pedidos da categoria é para que a empresa olhe para o desgaste que os funcionários vêm sofrendo devido ao déficit na equipe.
"Os Correios estão, desde 2011, sem concurso público. Teve um concurso há dois anos, mas até agora ninguém foi chamado. Então a precarização a população já está sentindo faz tempo. Nós éramos quase 2 mil trabalhadores aqui em Mato Grosso, lá no ápice de 2016. Agora é pouco mais de 897, menos da metade. A sobrecarga é geral, tanto para os carteiros quanto para o atendimento", explica Luciano.
Luciano relata que cerca de 1000 agências dos Correios foram fechadas durante a reestruturação da empresa. O presidente do Sintec-MT ressaltou que um dos grandes medos da categoria é que o processo de sucateamento resulte em um final nada agradável aos trabalhadores: a privatização.
A categoria reivindica também, em âmbito nacional, melhorias nas condições de trabalho, um novo reajuste de salário e a manutenção dos planos de saúde.
"As modificações na reestruturação da empresa que eles estão fazendo precarizam ainda mais o serviço para a população e também a qualidade, as condições de trabalho de todos os funcionários. Então, a nossa reivindicação vai perdurar até que se resolva", comentou Luciano.
Quanto às operações nas agências, Luciano reforçou que as equipes seguem cumprindo a exigência de 30% de funcionamento. O representante explicou ainda que, nos últimos anos de reivindicações, todas as decisões vêm sendo levadas a dissídio coletivo, ou seja, aos Tribunais Regionais do Trabalho ou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), não havendo acordo entre empresa e funcionários.
"Já foi até marcada para segunda-feira [21] a reunião no TST, para decidir o que vai vir por aí. Mas a nossa pressão é para manter as cláusulas que já existem no acordo coletivo, que não retirem direitos e nos deem condições de exercer nossas atividades", pontua.
Por fim, Luciano reforçou que a greve seguirá, mais uma vez, até o dissídio coletivo e, caso não haja um acordo que agrade à categoria, a ideia é que a mobilização se torne cada vez maior. "Não tem condição. Está insustentável a gente trabalhar dessa forma. A gente não consegue, não dá para se manter no local de trabalho com esse sucateamento que a empresa está fazendo", finalizou.
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