Estudante de Direito cria rede solidária e constrói casa para família pobre - vídeo
Dieniffer Sardinha tem 22 anos, é estudante de Direito, dona de uma boutique virtual e filha de pecuaristas em Araputanga (a 336 km de Cuiabá). Porém, o que surpreende nela é que, desde a infância, se preocupa com crianças pobres.
Bem cedo, diz ter sentido pulsar no coração amor ao próximo. Era fácil para ela dividir merenda ou brinquedos com os colegas. É com esta empatia que começou a articular uma rede do bem e idealizou o projeto Criança Feliz, que tem como principal objetivo levar felicidade, aonde só a miséria vinha chegando.
A rede hoje conta com 12 jovens engajados, seus amigos, da mesma faixa etária, a quem foi convencendo, um a um, a abraçar a causa. É organizada, tem regras. Atua na região de Araputanga.
Entrega cestas básicas, chocolates na Páscoa e agora está empreendendo um voo mais alto, construindo uma casa para a família do braçal Lucinei.
Esta é mais uma matéria da série RD do Bem, que só traz boas notícias e inspiradoras. Se conhece uma história bacana, mande para a gente! (65 9-9988-4251)
Arquivo Pessoal
Em frente ao barraco, a casa começa a sair do papel e virar realidade a casa que a famíia do braçal Lucinei tanto precisa. A esposa dele está adoentada
Arquivo Pessoal
Ainda adolescente, aos 12 anos, único registro das primeiras ações de Dieniffer Sardinha
Na festa do pijama, veio a ideia
A primeira vez que Dieniffer pensou em fazer uma campanha solidária tinha 12 anos. Não seguia o exemplo de ninguém na família, foi espontâneo. Era época de Natal. Teve uma festa do pijama, com suas amigas, foi ali que ela teve a ideia de chamá-las para arrecadar cestas básicas. “Acredito que vi alguém passando necessidade e aquilo me tocou”, comenta, tentando relembrar do início de tudo.
Depois disso, não parou mais. Na Páscoa do ano seguinte, arrecadou ovos de chocolate e assim por diante.
Uma Casa Para Lucinei
A mais arrojada iniciativa do Criança Feliz até agora - em 10 anos - ainda está em curso. É a campanha Uma Casa Para Lucinei e Família. O Lucinei, que é braçal, vendeu onde morava para pagar o tratamento de saúde da esposa. Com outra parte do dinheiro, comprou um terreno e, com ajuda de um vizinho, ergueu um barraco precário. O casal tem dois filhos: Henrique, 7, e Guilherme, 4. Nesse caso, os meninos é que são o foco da rede. “A ideia é, com a contribuição de todos, construirmos justamente uma casa, uma vida digna a essa família, capaz de proporcionar grande felicidade aos meninos e iremos colocar o imóvel para usufruto deles”, explica Dieniffer.
No barraco em que a família vive hoje, não tem banheiro e todos fazem as necessidades no mato, colocando em risco as crianças, por causa de cobras, por exemplo, e doenças da insalubridade.
No dia em que a ativista conheceu a família de Lucinei, foi embora preocupada. “Voltei à noite com remédios e coisas para as crianças. Lá não tinha nada. Fogão, geladeira, nada. Estamos conseguindo tudo”, vibra.
No dia 24 de abril, a obra iniciou e já está parcialmente pronta. Quando terminar, um sonho de menina terá proporcionado a moradia de uma família. Grandioso!
Galeria: O BARRACO E A CASA
Pé na estrada
A rede já atende a crianças pobres de 8 cidades na região de Araputana, para onde Dieniffer viaja, de carro – quando acha companhia – ou de ônibus, quando não acha. São elas Jauru, Figueirópolis D'oeste, Indiavaí, Mirassol D'oeste, Lambari D'oeste, Cáceres e Rio Branco. Nessas cidades, há representantes do projeto, segundo ela “fortemente dedicados e capacitados para sanar quaisquer dúvidas”.
Na Páscoa deste ano, em abril, mais de 350 crianças ganharam chocolate e alimentos. Além disso, o grupo também visita o Lar Flor de Acácia, dos idosos, além do Lar das Irmãs, afinal nada substituiu o carinho presencial, o tempo gasto com quem está se sentindo abandonado ou carente.
“O importante é alertar à população que ajudar o próximo deve virar hábito e não ser somente algo especial, em datas comemorativas. O mundo está carente de boas atitudes”, ressalta a ativista social.
Para ela, o dinheiro não compra tudo. “Minha família é boa de situação, mas me faltava algo que nada preenchia. Quanto comecei o projeto, minha família não era tão a favor, mas depois foi se acostumando com a ideia, porque eu era criança e saía na rua pedindo. Sempre tive o coração bom e vontade de compartilhar, porque vejo uma grande falta de compaixão com o próximo”, relata.
Ela acredita que o gatilho para o tal vazio existencial foi o assassinato do pai, quando tinha apenas 7 anos. “Isso me incentivou a ser uma pessoa melhor, porque, quando ele morreu, descobri que era traficante e mexia com coisas erradas. Eu tinha a escolha de pegar o trauma e ser rebelde ou usar a meu favor. Tentei buscar o melhor de mim depois disso. Dá para ter uma noção do trauma? Achei que meu pai era uma pessoa e (com o assassinato) descobri outra”, lamenta.
Como ajudar
Apesar do status da família atualmente, não conta com isso. Antes vendia trufa, empada, lanche natural na faculdade, pedia apoios e, aos poucos, conseguiu ir dando visibilidade ao projeto, o que facilita a encontrar apoiadores e parceiros.
Planos futuros
Ela diz ter achado na caridade o que dá sentido à vida. Não tem pretensões políticas. Único plano é o de ir para a África no futuro e ajudar mais pessoas, além de fundar uma ONG.
Como ajudar
Informações: (65) 9685-3196
Galeria: CRIANÇA FELIZ
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