Infarto mata o sambista cuiabano Marcelo Beleza Pura que fez história no Carnaval
Divulgação
Vítima de um infarto fulminante, o sambista cuiabano Marcelo Beleza Pura, de 77 anos, morreu na casa dele no bairro Verdão em Cuiabá. Informações dos familiares, ele assistia a um show do cantor Diogo Nogueira quando começou a se sentir mal.
A esposa dele tentou ajuda-lo, mas o sambista caiu no chão e morreu na hora. O músico e arquiteto Marcelo Gonçalves, é um ícone e escreveu seu nome na história do Carnaval mato-grossense através do bloco Beleza Pura, criado em 1982.
Amigos prestam homenagem e se despedem do músico em suas redes sociais.
A família ainda muito abalada, aguarda a liberação do corpo no IML. Ainda não há informações sobre onde o corpo será velado.
Marcelo Beleza Pura tinha em seu repertório músicas de Martinho da Vila e outros como Almir Guineto e Zeca Pagodinho, que ele conheceu antes da fama, numa roda de samba na quadra do Cacique, ao lado da cantora Beth Carvalho.
Histórico
Marcelo era filho de um porteiro e de uma lavadeira, gostava de jogar futebol e foi centroavante do Mixto. Por sugestão de uma irmã mais velha que já morava no Rio de Janeiro, ele se mudou para a Cidade Maravilhosa com a intenção de fazer Engenharia.
Já no Rio, se sobressaiu e ganhou uma bolsa ao final do cursinho. Como era bom de desenho, acabou descobrindo a Arquitetura e ingressou na Faculdade Nacional de Arquitetura (UFRJ), na Ilha do Fundão. Foi nessa época que se apaixonou pelo Cacique de Ramos.
Marcelo voltou para Cuiabá em 1976, se dedicou à Arquitetura, mas foi se envolvendo cada vez mais com a música. O pai era violonista autodidata, um dos tios cantava e era compositor de sambas, e sua irmã Dadá Maravilha (falecida) era cantora.
O sambista idealizou o Bloco Beleza Pura, que marcou época em Cuiabá e serviu de inspiração para outros blocos carnavalescos. Ele era figurinista, cantor, diretor da bateria e organizador. Ele criou o primeiro samba-enredo original do bloco, composto por Pescuma em 1985.
Sua descoberta como cantor, no entanto, foi por acaso: “Ela [irmã de Marcelo] cantava com o Marinho e a turma do Choros & Serestas (o Chorinho), e eu tocava pandeiro. Um dia, Dadá estava rouca e pediu para eu cantar. O grupo estava se apresentando numa pizzaria no Trevo do Santa Rosa e a casa estava lotada. Eu tremi, mas cantei “A volta do boêmio” (sucesso na voz de Nélson Gonçalves) e o pessoal aplaudiu. Aí comecei a cantar com o pessoal do Chorinho e nunca mais parei”, recorda o cantor. Ele chegou a colocar mil pessoas desfilando na avenida para desfilar pelo bloco.