Cuiabá, 25/10/2026

Médico diz que intercorrência aconteceu no final da cirurgia de jovem: Fatalidade

Euller Gustavo Preza, responsável pela cirurgia plástica que terminou com a morte de Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido

O médico Euller Gustavo Preza, responsável pela cirurgia plástica que terminou com a morte de Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, em Cuiabá, se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido neste domingo (25). Em vídeo publicado nas redes sociais, o profissional afirmou que já havia finalizado quase todo o procedimento, quando a jovem passou mal. O caso aconteceu no dia 16 de outubro e é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá.

Conforme já publicado pelo #rdnews, Lurdes Maria realizou procedimentos de lipoaspiração e colocação de próteses mamárias no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá.

Reprodução

“A intercorrência aconteceu no final do procedimento, no final da cirurgia. Já tínhamos finalizado toda a parte da frente, já tinha sido colocada a prótese, já tinha sido feita a lipoaspiração do abdômen da paciente, da frente e das laterais, já tinha sido passada a tecnologia de argoplasma, a gente já tinha virado a paciente de barriga para baixo, já tinha sido feita a lipoenxertia no glúteo, estávamos na fase final da lipoescultura do dorso, quando a anestesista notou uma queda súbita e abrupta da saturação ou oximetria, interrompeu a nossa fase da cirurgia e pediu para verificar as conexões”, conta Euller.

O médico diz ainda que seguiu os protocolos necessários, tentou reanimar a paciente, mas após duas horas, a jovem não resistiu. Ele salienta que isso poderia ter acontecido em qualquer tipo de cirurgia. “Uma fatalidade que é possível em qualquer tipo de cirurgia, mas que infelizmente aconteceu com essa paciente”.

No pronunciamento, Euller também lamenta as agressões e ameaças sofridas após a morte da jovem. “Infelizmente eu fui agredido, sim, no hospital. Mas eu não guardo rancor nem mágoas, porque eu sei da dor da perda. Eu sei que ele estava enlutado e estava fora de si no momento”, salienta.

“Eu tentei ao máximo, mesmo após a agressão, explicar para ele que seria importante a gente ter o laudo da perícia médica, para que depois a gente entendesse qual que foi a causalidade dessa morte. Infelizmente, após esse ocorrido, eu comecei a sofrer ameaças via WhatsApp, via redes sociais, e registrei sim o boletim de ocorrência, mas não tem nada a ver com a agressão física que eu tive no hospital. As ameaças foram contra a minha vida e contra a vida dos meus familiares”, acrescenta.

Euller confirmou também que não possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) junto ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), mas garantiu que isso não foi a causa da morte de Lourdes. “Nunca deixei nem a ilusão de que eu tinha um RQE. Todas as minhas formações são comprovadas através de certificações e todas as minhas certificações têm reconhecimento do MEC. O fato de eu não ter feito residência não é causa da morte dessa paciente”, esclarece.

“Eu não fiz residência médica, eu fiz pós-graduação, que é um dos muitos caminhos de formação do médico, mas não sou desabilitado a fazer qualquer tipo de cirurgia. Toda a minha formação me habilita a fazer as cirurgias que eu venho fazendo. E todas as minhas cirurgias são em ambientes seguros, adequados, certificados. Todos os hospitais onde eu opero têm todo o suporte, tanto de UTI quanto banco de sangue, quanto outras inúmeras suportes”, completa o médico.

“Eu quero provar para todos que não houve erro médico, que não houve culpabilidade do meu ato cirúrgico e eu quero também restabelecer o quão rápido possível esse contato com os familiares. E estou aqui à disposição para conversar, para explicar e para chorar junto também. Porque não é fácil essa fase”.

O caso

A jovem Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, morreu nesta sexta-feira (16), durante uma cirurgia plástica no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. Informações iniciais apontam que ela sofreu uma parada cardiorrespiratória.

“O procedimento foi realizado em ambiente hospitalar adequado, por profissionais plenamente habilitados, após as avaliações pré-operatórias exigidas. Durante a cirurgia, a equipe identificou uma intercorrência súbita, interrompeu imediatamente o procedimento e manteve as manobras de reanimação por cerca de duas horas, infelizmente sem sucesso”, diz trecho da nota divulgada pela assessoria jurídica do médico Euller Gustavo Preza, que realizava o procedimento.

Ainda conforme o posicionamento, as causas da intercorrência serão esclarecidas durante a investigação do caso. Euller também ressaltou que atua na área há mais de 25 anos e possui vasta experiência.

A assessoria jurídica também confirmou que o médico foi agredido por familiares da paciente após a morte.

"Sobre a notícia que divulga uma possível agressão ao médico, esta assessoria jurídica esclarece que tanto a agressão quanto a ameaça de morte foram registradas pelo médico em um Boletim de Ocorrência, no intuito de preservar sua integridade física".