Politec conclui que arma trazida por intermediador matou advogado em Cuiabá
Crime ocorreu no dia 5 de dezembro de 2023; quatro pessoas já foram presas por suposto envolvimento
O laudo da Perícia Oficial e Identidade Técnica (Politec) concluiu que os tiros que atingiram o advogado Roberto Zampieri saíram da pistola 9 mm trazida para Cuiabá por Hedilerson Fialho Martins Barbosa, após pedido de liberação na Polícia Federal. O exame foi finalizado nesta quinta-feira (25) e encaminhado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Conforme o laudo, todos os projéteis encontrados encontrados dentro do carro do advogado são compatíveis com a pistola registrada no nome de Barbosa. De acordo com as investigações, o proprietário da arma seria intermediador da execução de Zampieri e trouxe o objeto às pressas para Mato Grosso, depois que o suposto atirador, Antônio Gomes da Silva, inventou que teria tido sua arma confiscada em uma blitz no caminho para Cuiabá.
Montagem
Antônio teria sido contratado Hedilerson pelo valor de R$ 40 mil, no entanto não teria arma para executar o crime."Eu falei com ele [Barbosa] que eu tinha duas armas aqui, mas na verdade não tinha mer* nenhuma. Ele falou: vou para aí. Nesse meio tempo pensei: 'vou ter que bolar alguma coisa'. Quando vi que ele vinha mesmo, eu liguei para ele e disse: aconteceu uma tragédia aqui, perdi minhas armas na blitz. Ele disse: nossa, quase não dá tempo, então vou ter que levar a minha arma. Eu falei: vê o que você pode", relatou Antônio durante seu depoimento para a Polícia Civil.
Em seguida, Barbosa teria dito, conforme a versão de Antônio, que já tinha comprado a passagem de avião para Cuiabá e que isso seria um problema, pois de avião não seria possível carregar a arma.
"Ele disse: vou correr amanhã cedo, pedir na [Polícia] Federal a documentação de liberação, tem que ser na correria aqui. Aí conseguiu o documento rápido. Ele chegou aqui no dia do crime, dia 5, terça-feira. Pediu o negócio na sexta-feira para na segunda eles [PF] liberaram a documentação. Ele conseguiu a liberação e trouxe a arma", narrou.
Prisões
Além do executor e do intermediador, foram presos a empresária e farmacêutica Maria Angélica Caixeta Gontijo, apontada como suposta mandante do crime, e o coronel da reserva do Exército brasileiro Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, suspeito de financiar o crime. Maria Angélica foi solta no dia 19 de janeiro, após determinação do juiz João Bosco Soares da Silva, do Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá.
O caso
O advogado Roberto Zampieri deixou o escritório de advocacia em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino, no dia 5 de dezembro. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado.