Cuiabá, 06/11/2026

Sob aplausos, familiares de Maiana recebem sentença de ex-namorado

Após quase seis anos do homicídio, os três réus acusados de assassinar e ocultar o cadáver da adolescente Maiana Mariano Vilela, de 16 anos, em dezembro de 2011, foram condenados pelo Tribunal de Júri em Cuiabá, nesta quarta (19), a mais de 40 anos de prisão. O irmão da menor, Danilo Mariano, aplaudiu acompanhado de alguns familiares a decisão proferida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da Primeira Vara Criminal da Cuiabá. 

Gilberto Leite

Danilo Mariano, irmão da vítima, comemora julgamento dos réus envolvidos no crime

O empresário Rogério da Silva Amorim, que mantinha um relacionamento com a vítima, foi sentenciado a 20 anos e três meses em regime fechado, como mandante do crime e por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, recompensa e meio que dificultou a defesa da vítima). A defesa de Rogério afirmou que irá recorrer da sentença e ingressar com pedido de habeas corpus, para que o empresário responda ao processo em liberdade.

Para o irmão da Maiana, Danilo Raul Mariano, a condenação foi justa e recebida pelos familiares que acompanharam o julgamento com muito alívio. “Mostrou para Rogério que ele estava errado quando disse que matar filho de pobre é que nem matar cachorro, que não dá nada. Ele achou que só porque tinha dinheiro não ia dar nada, e agora vai cumprir 20 anos em regime fechado para aprender a não fazer mais nada com a vida de ninguém”.

Já Paulo Ferreira Martins, de 44 anos, que confessou ter asfixiado a adolescente, foi condenado a 18 anos e 9 meses por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, também em regime fechado. Carlos Alexandre da Silva, de 34 anos, que confessou ter ajudado a enterrar o corpo da vítima, foi condenado a um ano e seis meses em regime aberto. 

O promotor de Justiça, James Romaquelli, ponderou que o Ministério Público Estadual (MPE) vai analisar a possibilidade de recurso contra a pena imposta a Carlos Alexandre, pois, para o órgão, ele participou da morte da adolescente, uma vez que um vídeo mostrado durante o júri indicaria que o réu assistiu ao momento em que a jovem foi assassinada e recebeu pagamento para ajudar a esconder o corpo. “Se existir chance de recurso, vamos recorrer, caso esse recurso não prejudicar a decisão que foi tomada aos demais réus".

Julgamento

O Júri Popular foi formado por seis homens e apenas uma mulher. Durante mais de 30 horas de julgamento, os advogados das defesas adotaram como estratégia denegrir a imagem de Maiana, enquanto exaltavam as qualidades do empresário. Para o promotor James Romaquelli, os advogados se preocuparam exclusivamente na tentativa de isentar o empresário Rogério Amorim de ser o mandante do crime.

Entre as ações imputadas à jovem assassinada está de que ela seria "garota de programa"’, "namoradeira"’, "usava roupas curtas", além de "trocar a noite pelo dia"’.  "Ela era conhecida por ter uma tatuagem de pimentinha nas costas, pouco acima do bumbum", disse o advogado de Paulo Ferreira, Givanildo Gomes. Ele disse ainda que Paulo "cometeu o crime por injusta provocação da vítima, que não era santa".

Durante a fase de interrogatório dos réus, somente o ex-namorado não confessou participação no assassinato. Rogério disse que o relacionamento com a adolescente era "maravilhoso". Ele relatou ter conhecido Maiana em uma boate e que, a princípio, não sabia que se tratava de uma adolescente. Segundo ele, à época, a jovem morava em frente à empresa dele, no Bairro Três Barras, na Capital.

Gilberto Leite

  Réus atentos à decisão da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira após julgamento de dois dias

Paulo, por sua vez, acusado de ter sido contratado para matar a adolescente, afirmou durante interrogatório que cometeu o crime após uma discussão com a vítima. Já Carlos Alexandre disse, em depoimento, ter ajudado Paulo a enterrar o corpo da vítima.

Defesa

O advogado de defesa de Carlos Alexandre, Valdir Caldas, considerou a pena justa para o cliente. “Ele somente participou da ocultação do cadáver, não sabia o que estava acontecendo, logo os jurados entenderam isso. Como ele já cumpriu a pena, pois ficou dois anos preso entre 2012 e 2014, não deve mais nada para a justiça”.

Para o advogado de defesa do Rogério, o resultado não foi unânime para os jurados e, por conta disso, vai recorrer da sentença. “Foi 4 a 3, a diferença foi muito pouco. Isso significa que não houve um consenso entre eles. O Rogério não foi o mandante do crime e isso está claro. Amanhã (20) vamos entrar com habeas corpus para que ele possa recorrer em liberdade”, pondera.

Caso

Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público Estadual, no dia do homicídio, o empresário teria mandado Maiana descontar um cheque de R$ 500 e levar o dinheiro para um chacareiro. Ela foi ao banco com uma motocicleta que tinha ganhado do empresário e, depois, se dirigiu à chácara.

De acordo com o Ministério Público, a jovem foi morta na chácara e teve o corpo colocado dentro de um carro de passeio e, em seguida, deixado na região da Ponte de Ferro.

Os restos mortais da adolescente foram encontrados no dia 25 de maio de 2012, cinco meses após o crime. Maiana e Rogério mantiveram um relacionamento extraconjugal por aproximadamente um ano e estavam vivendo juntos havia cinco meses, em regime de união estável, quando o assassinato foi cometido.

A ex-mulher de Rogério Amorim também foi denunciada pelo MPE como participante dos crimes, mas a Justiça considerou que não havia indícios da participação dela. O corpo da vítima foi sepultado sete meses após o desaparecimento e morte da adolescente, no Distrito do Coxipó do Ouro, em Cuiabá. Um dos acusados do crime foi quem indicou para a polícia o local onde o corpo havia sido enterrado.

Ex-namorado é condenado a 20 anos de prisão e o executor pega 18 anos

Confira, abaixo, momento em que juíza profere a decisão