Trilhos do VLT começam a ser removidos em VG; sindicato critica e acusa descaso
Iniciadas em 2012 com vistas à Copa de 2014, obras do VLT completaram oito anos paradas nesse domingo
Rodinei Crescêncio
As obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) completaram oito anos paradas nesse domingo (18). Uma década depois do início das obras, as estruturas do VLT, inclusive os trilhos, estão sendo retirados. A situação, vista como solução para recuperação das vias por parte de quem não acredita na conclusão do projeto, é repudiada por quem defende a continuidade da obra.
O Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) se manifestou contra a remoção das estruturas em um ofício enviado ao governador Mauro Mendes (União Brasil), ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados - leia a íntegra aqui.
Segundo o entidade, a medida “jogará no lixo vultosos recursos públicos que haviam sido empenhados na execução de uma obra praticamente concluída”.
Após mais de R$ 1 bilhão gastos, escândalos de corrupção e investigação da Polícia Federal, além de embates na Justiça, a obra não será concluída. Em 2017, o Governo rescindiu o contrato com o Consórcio VLT e, no lugar do modal, será implantado o Ônibus de Trânsito Rápido (BRT).
Galeria: Trilhos do VLT são retirados na Feb
De acordo com o Simefre, é a primeira vez que se tem notícia de uma mudança de modal com obras tão avançadas, fonte de insegurança jurídica e repercussão negativa no setor de infraestrutura no Brasil e exterior.
“A decisão de trocar o sistema de VLT, com 70% implantado e que agora começa a ser destruído, para implantação do BRT, tem repercutido negativamente no país e no exterior como ato fora de propósito e inadmissível sob o ponto de vista econômico e social”, diz trecho do documento assinado pelo sindicato.
Rodinei Crescêncio
O engenheiro de Segurança do Trabalho Rubens Gonçalves da Silva mora há 33 anos em Várzea Grande e vê a situação da obra como um descaso e um desrespeito a população.
“Ontem, dia 18, acabou a Copa do Mundo do Qatar. E essa obra [do VLT] era para Copa de 2014. Um absurdo. Infelizmente essa é a realidade, uma chacota com a cara do povo. Vi essa obra começar e estou vendo ainda hoje máquinas trabalhando, colocando vida de pessoas em perigo, falta de sinalização, sem controle nenhum e mais uma vez nós iremos pagar a conta”, critica.
No ofício enviado pelo Simefre, a entidade também afirmou que “os trilhos do VLT, uma vez assentados com a utilização de recursos públicos, deveriam ser usufruídos pela população com a conclusão das obras há muito iniciadas, e não desmontados utilizando-se de outros recursos públicos”.
Substituição do VLT
O Governo de Mato Grosso decidiu a substituição do modelo de transporte após estudos técnicos que apontaram que a continuidade das obras do VLT era “insustentável”, demoraria até seis anos para conclusão, custosa aos cofres públicos, com pouca vantagem à população e ainda contaria com uma tarifa muito alta.
As obras do BRT estão previstas para começar no próximo trimestre de 2023 e devem entregar 135 linhas entre Cuiabá e Várzea Grande. O projeto tem investimento previsto de R$ 468 milhões e será tocado pelo Consórcio Construtor BRT Cuiabá, formado por empresas de São Paulo.