Rodinei Crescêncio

As obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) completaram oito anos paradas nesse domingo (18). Uma década depois do início das obras, as estruturas do VLT, inclusive os trilhos, estão sendo retirados. A situação, vista como solução para recuperação das vias por parte de quem não acredita na conclusão do projeto, é repudiada por quem defende a continuidade da obra.
O Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) se manifestou contra a remoção das estruturas em um ofício enviado ao governador Mauro Mendes (União Brasil), ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados - leia a íntegra aqui.
Segundo o entidade, a medida “jogará no lixo vultosos recursos públicos que haviam sido empenhados na execução de uma obra praticamente concluída”.
Após mais de R$ 1 bilhão gastos, escândalos de corrupção e investigação da Polícia Federal, além de embates na Justiça, a obra não será concluída. Em 2017, o Governo rescindiu o contrato com o Consórcio VLT e, no lugar do modal, será implantado o Ônibus de Trânsito Rápido (BRT).
Galeria: Trilhos do VLT são retirados na Feb
De acordo com o Simefre, é a primeira vez que se tem notícia de uma mudança de modal com obras tão avançadas, fonte de insegurança jurídica e repercussão negativa no setor de infraestrutura no Brasil e exterior.
“A decisão de trocar o sistema de VLT, com 70% implantado e que agora começa a ser destruído, para implantação do BRT, tem repercutido negativamente no país e no exterior como ato fora de propósito e inadmissível sob o ponto de vista econômico e social”, diz trecho do documento assinado pelo sindicato.
O engenheiro de Segurança do Trabalho Rubens Gonçalves da Silva mora há 33 anos em Várzea Grande e vê a situação da obra como um descaso e um desrespeito a população.
“Ontem, dia 18, acabou a Copa do Mundo do Qatar. E essa obra [do VLT] era para Copa de 2014. Um absurdo. Infelizmente essa é a realidade, uma chacota com a cara do povo. Vi essa obra começar e estou vendo ainda hoje máquinas trabalhando, colocando vida de pessoas em perigo, falta de sinalização, sem controle nenhum e mais uma vez nós iremos pagar a conta”, critica.
No ofício enviado pelo Simefre, a entidade também afirmou que “os trilhos do VLT, uma vez assentados com a utilização de recursos públicos, deveriam ser usufruídos pela população com a conclusão das obras há muito iniciadas, e não desmontados utilizando-se de outros recursos públicos”.
Substituição do VLT
O Governo de Mato Grosso decidiu a substituição do modelo de transporte após estudos técnicos que apontaram que a continuidade das obras do VLT era “insustentável”, demoraria até seis anos para conclusão, custosa aos cofres públicos, com pouca vantagem à população e ainda contaria com uma tarifa muito alta.
As obras do BRT estão previstas para começar no próximo trimestre de 2023 e devem entregar 135 linhas entre Cuiabá e Várzea Grande. O projeto tem investimento previsto de R$ 468 milhões e será tocado pelo Consórcio Construtor BRT Cuiabá, formado por empresas de São Paulo.
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joao jj 20/12/2022
que vergonha jaime campos
Dr Orlando Cavalcanti 19/12/2022
Parabéns Mauro Mendes. Cuiabá e Vg são muito pequenos para VLT. VLT teria que ser subsidiada passagem que seria pago por nosso imposto. Estamos fartos de sustentar máquina inchada e serviços públicos inoperantes. Sou favorável extinção do serviço público. Sem estabilidade, sem greve, sem ponto facultativo, sem salário de marajá.
Paulo Fernando 19/12/2022
Mais um oportunista querendo trampolim para aparecer, não trouxe um dado técnico que possa subsidiar suas afirmações, infelizmente ou está a serviço do Prefeito da Capital que disse que não permitirá retirar os trilhos instalados em Cuiabá que se esqueceu de falar que ainda não a trilhos em Cuiabá kkkkkkkkkkk ou está procurando 15 min de fama e trampolim político. O trabalho do governo e feito em cima de estudos e não de achismo e sensacionalismo político, obviamente que foi péssimo para toda a população dos desvios e dinheiro desperdiçado na obra inacabada, contudo pelos cálculos preliminares seriam necessários mais 2 bilhões para conclusão das obras e apenas 600 milhões para instalação do BRT, e dentro desse contexto muito mais vantajoso para a sociedade evitar novo desperdício de recursos públicos e consequente prejuízo ao erário e a população de Mato Grosso.
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