Cuiabá, 19/09/2026

Túnel e duplicação podem conter queda de rochas em estrada e custar até R$ 1,9 bi

Estudo da Sinfra que mostra pontos críticos aponta medidas que podem solucionar problema

Alô Chapada

A duplicação da rodovia e a construção de um túnel na região do Portão do Inferno, em Chapada dos Guimarães (a 65 km de Cuiabá), estão entre as medidas estudadas pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra) para conter os riscos de deslizamentos e rolamentos de rochas neste trecho da Estrada-parque MT-251. As alternativas são apontadas em um relatório da Sinfra com obras que podem custar entre R$ 228 milhões e R$ 1,9 bilhão.

O documento é o mesmo que detalha os dez pontos críticos do trecho, entre o km 42 e o km 48, com fendas e altas rochas instáveis que podem cair na pista. O relatório também aponta medidas alternativas de soluções e foi divulgado após o deslizamento de terra em um trecho da região nesta semana, o que causou preocupação à população e às autoridades.

Após o deslizamento, o Governo do Estado publicou uma portaria proibindo veículos pesados no trecho entre a Salgadeira e o Distrito de Água Fria. Foi decretada também situação de emergência no local.

Annie Souza/Rdnews

Um estudo da Sinfra detalhou esses pontos críticos e as alternativas para solucionar esses problemas. Segundo o secretário Marcelo Oliveira, o documento foi enviado ao Governo Federal, responsável pelo Parque Nacional de Chapada. O #rdnews teve acesso ao relatório técnico, que aponta quatro possíveis soluções.

Segundo o documento a medida de maior impacto é a construção de um túnel. "O túnel precisa ser duplo porque com extensões tão grandes (acima de 2 km), essas estruturas precisam de rotas de fuga. Existe a possibilidade de se fazer túnel auxiliar, mas o custo é praticamente o mesmo de se implantar túnel duplo", diz trecho do estudo.

Segundo o documento, essa estratégia possui uma interferência ambiental relativamente pequena, comparada às estabilizações de escarpa necessárias às obras de duplicação do traçado atual. O projeto inclui os sistemas de iluminação, ventilação, combate a incêndio, monitoramento e controle.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

O túnel longo foge do traçado atual da rodovia, eliminando a necessidade de contenções nos pontos críticos, porém os custos são maiores, com um investimento necessário de R$ 1,9 bilhão. Já os túneis curtos procuram apenas evitar os problemas com o viaduto e a estabilização de encostas no Portão do Inferno, em uma estrutura com extensão menor do que 500 metros. O custo será de R$ 450 milhões.

A outra alternativa estudada é a duplicação ao longo dos 5 km de extensão, mantendo o traçado atual, com um custo de R$ 276 milhões. Será feita estabilização das encostas e construído um novo viaduto duplicado, visto que o atual viaduto, devido à idade e a deterioração, precisaria ser descomissionado. Segundo o relatório, essa alternativa terá uma pequena interferência na área do parque, com pouco alargamento da via.

A medida mais barata, segundo o estudo, é a manutenção da pista simples, que deverá custar R$ 228 milhões. Nesse caso, serão feitas as retiradas dos blocos mais instáveis, a estabilização da escarpa, que é a parte íngreme entre a rocha e a pista da rodovia e medidas de proteção da rodovia, com estruturas que reduzem o risco das rochas atingirem a pista.

A maior parte do custo será relativa a essas contenções e estabilização das encostas. Além disso, será feita a recuperação da pista existente e implantado um novo viaduto na curva mais acentuada, no Km 45. Conforme o relatório, essa é a medida com menor interferência na área do parque, ficando restrita às imediações da faixa de domínio da rodovia.

Segundo a Sinfra, o estudo foi enviado para o Governo Federal para que medidas sejam tomadas para evitar futuros desmoronamentos e acidentes fatais, já que o trecho compreende o Parque Nacional de Chapada, mas ainda não houve resposta. Como medida paliativa, obras devem ser iniciadas em até 15 dias no local e o trecho deve ser interditado parcialmente enquanto um solução definitiva não é providenciada.