Cuiabá, 17/09/2026

Você já saiu da caverna, hoje?

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Quando estamos diante de experimentar o novo, o desconhecido, naturalmente nós, seres humanos, desenvolvemos um sentimento de preservação e sobrevivência. Muitas vezes, isso leva algumas pessoas a não saírem de seus lugares — da chamada zona de conforto, ou, como gosto de nomear, a ilusória zona de controle, onde acreditamos ter domínio.

É uma linha limite, uma fronteira duvidosa, que frequentemente desistimos de cruzar.

Nesse processo, o sentimento de desânimo, às vezes uma leve tristeza, misturada com nervosismo, toma conta e nos faz pensar em parar.

Ao parar, mesmo sem perceber, optamos pela ilusão de ter o controle total. Porém, essa incapacidade de agir nos enfraquece e nos leva a viver em uma zona de tensão que, com o tempo, se rompe como uma avalanche.

Precisamos ultrapassar esse medo e nos deparar com o encanto de um mundo novo, inexplorado, que nos fará crescer e adquirir experiência, conhecimento e sabedoria

Isso acontece porque a natureza, em sua grandeza, está sempre rompendo e ultrapassando limites — ela não tem medo.

E ultrapassará os seus, se você se fechar.

Ela pode estar contigo na condução da vida de forma leve e serena, ou de forma devastadora. De uma maneira ou de outra, ela virá para lhe ensinar.

Muitas vezes, não seguir em frente e deixar de cruzar essa linha limite nos impede de conhecer algo incrível.

Hoje pude compreender perfeitamente o mito da caverna de Platão — uma história maravilhosa sobre aqueles que nunca saíram de suas cavernas por medo dos “monstros” que existiriam lá fora.

Monstros que, na verdade, não existiam.

As vozes que eles acreditavam ser dessas criaturas enormes, que os paralisavam, eram apenas o eco de suas próprias vozes reverberando pela caverna.

Assim como eles, muitas vezes permanecemos nessa caverna, imaginando monstros que nos paralisam.

Precisamos ultrapassar esse medo e nos deparar com o encanto de um mundo novo, inexplorado, que nos fará crescer e adquirir experiência, conhecimento e sabedoria.

Que tal experimentar?

Experimentar significa correr o risco de vivenciar experiências incríveis — capazes de nos elevar, nos expandir e nos tornar mais livres.

A liberdade está diretamente ligada à coragem e à flexibilidade. Quando desenvolvidas, elas nos permitem cruzar fronteiras.

Permita-se tocar, experimentar.

Não se trata de perder o senso de preservação — isso também é respeito por si mesmo e equilíbrio.

Mas encarar essa fronteira, com todas as suas dúvidas, incertezas e vulnerabilidades, e ainda assim ultrapassá-la, nos possibilita ampliar nosso campo de percepção.

Crescer de forma expressiva depende dessa atitude de coragem.

O risco, muitas vezes, pode ser minimizado ao buscarmos o máximo de informações possível. Mas isso não elimina a sensação.

E, para conquistas maiores, será necessário encarar o desconhecido mesmo sem todas as respostas — afinal, trata-se de território inexplorado.

Talvez você seja o primeiro a chegar lá.

Se você se reconhece como alguém que tem dificuldade em se arriscar, e isso tem limitado sua vida, tornando-a monótona, sem graça e pequena, talvez esteja se mantendo dentro da caverna.

Todos nós temos um potencial incrível.

Esse potencial pode ser usado para nos libertar — ou pode ser canalizado para nos proteger excessivamente, como alguém que usa toda sua energia para se trancar dentro de casa, no próprio casco, e acaba enfraquecendo.

Permita-se desenvolver essa habilidade em pequenas ações.

Isso pode ser treinado ao experimentar o novo repetidamente.

Comece com pequenos passos.

Pequenas atitudes.

Permita-se fazer diferente, cruzar a linha da resistência e do medo.

Talvez algo simples, como sentar-se em uma mesa diferente da habitual no restaurante. Pedir algo novo no cardápio. Aceitar de primeira um convite para um lugar onde nunca foi.

Experimente.

Esse é o meu convite.

Comece com um pequeno passo — um único pequeno passo — e você já terá iniciado uma jornada inteira de liberdade.

E, quando quiser voltar, volte para seu ninho, seu casco, sua casa.

Mas permita-se voar.

Explorar.

Crescer.

Permita-se encorajar-se.

Ir, às vezes, sem pensar demais.

Porque a vida é apenas uma passagem neste mundo tão grande — diante da nossa pequenez que ainda assim carrega uma imensa vontade de crescer e evoluir.

Cynthia Lemos é psicóloga e empreendedora; fundadora da Grandy Psicologia Empresarial e escreve neste espaço quinzenalmente às quintas-feiras