Ombro instável: O que você precisa saber
Rodinei Crescêncio/Rdnews
O deslocamento frequente do ombro recebe o nome de instabilidade glenoumeral. Esta é definida como uma incapacidade de manter a cabeça do úmero (osso do braço) centrada na glenóide (osso da escápula) durante a movimentação do ombro(glenoumeral). Esta articulação é extremamente móvel e pouco estável, sendo sua estabilidade dependente de músculos e ligamentos.
“Cada vez que o ombro sai do local ocorre uma nova ferida no osso, chamada de Bankart (quando ocorre no labrum ou na glenóide) ou Hill-Sachs (quando ocorre na cabeça umeral), e é por isso que dói tanto. E essa lesão vai aumentando a cada nova luxação”
Dentre as principais causas, destacam-se a traumática e a hiper frouxidão ligamentar, que é quando o paciente voluntariamente desloca o ombro e recoloca no local.
A traumática ocorre após uma queda ou um trauma local, que resulta na lesão da estrutura que insere a capsula articular, chamada de labrum, e fazendo com que a cabeça do úmero escape da articulação. Esse paciente vai necessitar de uma manobra para recolocar o ombro no lugar, que é realizada por um médico e ele vai imobilizar esse membro com tipoia por algum tempo. Se após esse primeiro evento houver uma nova luxação, estamos diante de uma instabilidade glenoumeral.
Cada vez que o ombro sai do local ocorre uma nova ferida no osso, chamada de Bankart (quando ocorre no labrum ou na glenóide) ou Hill-Sachs (quando ocorre na cabeça umeral), e é por isso que dói tanto. E essa lesão vai aumentando a cada nova luxação, podendo levar a uma destruição da articulação.
Então devemos impedir que isto ocorra. É preciso um tratamento, que na maioria dos casos é uma cirurgia, na qual é feito o fechamento da articulação evitando novos episódios.
A cirurgia realizada geralmente é a artroscopia, que é uma técnica minimamente invasiva na qual é introduzido uma câmera e instrumentos delicados dentro da articulação. São reinseridas as estruturas lesadas junto ao osso, através de pequenos parafusos absorvíveis de 3mm que tem fios de sutura na sua ponta, chamados de âncoras. As estruturas reinseridas no seu local adequado, retensionam a capsula articular, restabelecendo a anatomia e os mecanismos estabilizadores do ombro perdidos durante a luxação.
Já nos casos onde não houve trauma e o paciente tem o quadro de luxação voluntária, geralmente é realizado um tratamento com reforço muscular e fisioterapia direcionados.
Para saber qual é o seu caso exatamente, é preciso uma avaliação ortopédica detalhada. E até que se procure o médico devemos evitar que ocorra uma nova luxação. Entre as recomendações, destacam as seguintes:
Evitar realizar esportes de contato como futebol e Rugby e esportes com muitas quedas, como jiu jitsu, judô e outros.
Evitar o principal movimento que faz o ombro sair do lugar que é o de levantar o braço, e o direcionar para a região posterior, igual quando vamos jogar algum objeto, ou quando vamos colocar a mão atrás da cabeça ou atrás do sofá.
A órtese estabilizadora pode ser útil em casos muitos excepcionais e deve ser prescrita por um médico.
Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.