Pandemia de lesões desportivas
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Na mesma medida que algumas modalidades esportivas como por exemplo o beach tennis, corrida, ciclismo (mountain bike, speed), crossfit vem ganhando mais praticantes a cada dia, o número de lesões esportivas também vem aumentando na mesma proporção. E isto não se deve ao fato de serem modalidades ruins, mas são fruto da ansiedade do novato em iniciar logo a prática ou de querer evoluir no treino mais rápido que seu próprio organismo suporta. Estudo aponta que amadores que começam a realizar atividade física tem risco até 21% de lesões em atividades. Em corrida, o número sobe pra 83% se não forem supervisionados por um profissional qualificado.
Os motivos para o surgimento de lesões são variados e incluem fraqueza dos músculos, tendões e ligamentos, métodos de treinamento incorretos (incluindo overtraining) e anomalias estruturais que forçam mais determinadas partes do corpo em detrimento de outras. As consequências vão desde dor e desconforto até a incapacidade de treinar ou praticar o esporte.
Dentre lesões mais frequentes podemos destacar:
Entorse
Tipo de lesão mais frequente no meio esportivo, é provocada por uma excessiva distensão dos ligamentos e das demais estruturas que garantem a estabilidade da articulação. Os órgãos mais afetados são tornozelo (tibiotársica) e joelho, especialmente em tenistas e jogadores de vôlei e handebol. Já no futebol, entorse de joelho com ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é a lesão incapacitante mais comum, ao lado de problemas nos meniscos.
Contusão
Resultado de um forte impacto em qualquer parte do corpo, pode causar lesão nos tecidos moles da superfície, músculos, tendões ou ligamentos articulares. Algumas vezes, a lesão é profunda, tornando mais complexo determinar sua extensão. No entanto, a maioria dos casos não é grave e responde bem a medidas clínicas: descanso, aplicação de gelo, compressão e elevação da área lesada. É mais comum em esportes de queda, como futebol e basquete.
Lesão muscular
Ocorre devido ao esticamento excessivo do músculo. Pode não haver ruptura do tecido, ruptura parcial ou completa. Distensões musculares são as lesões mais frequentes em jogadores de futebol e ginastas. Recomendações iniciais incluem repouso, gelo, compressão e elevação. Anti-inflamatórios e fisioterapia podem ser necessários, bem como cirurgia, nos casos mais graves.
Fratura por estresse
Lesão decorrente da utilização excessiva do osso, que, não suportando a pressão, sofre uma fissura. Os ossos das pernas e dos pés são os mais sujeitos a fraturas por estresse. Na maioria das vezes, a sobrecarga acontece por causa do aumento da intensidade do treino ou do começo da prática esportiva sem a devida orientação profissional.
As principais medidas preventivas são:
1) Procure um treinador ou um preparador físico que possa te auxiliar com orientações sobre técnica, intensidade e periodicidade da modalidade que será adequada ao seu preparo físico
2) Invista em equipamentos adequados, como tênis apropriado para a sua pisada e para a sua modalidade; raquetes com o peso apropriado; bicicleta de tamanho adequado e ajustada ao seu biotipo(bike fit);
3) Capriche no alongamento e aquecimento pré treino
4) Intercale a pratica esportiva com reforço muscular
5) Tenha uma evolução gradual sempre respeitando os limites do seu corpo
Independente da lesão sofrida o importante é procurar atendimento médico o mais breve possível para iniciar o tratamento e não desanime de realizar a prática esportiva.
Fonte: HZM intituto de ensino e pequisa, Revista brasileira de ortopedia
Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.