Quais as possíveis formas de lesionar o joelho
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Primeiramente precisamos saber que as estruturas mais frequentemente lesionadas são os meniscos e os ligamentos. O menisco é uma estrutura fibrocartilaginosa que se encontra no centro dos joelhos. Ela é responsável pelo amortecimento de impactos, estabilização, lubrificação e dar congruência aos joelhos.
Essa região é mais propensa a lesão em pessoas com sobrepeso ou que praticam esportes com impacto e giro. Também são bastante frequentes em pacientes acima dos 60 anos, pelo desgaste natural do nosso organismo. Existem situações rotineiras que podem causar a lesão do menisco, veja abaixo.
1.Pancadas e entorses no joelho: muito comum em jogadores de futebol ou acidentes com motocicleta por exemplo.
2.Agachamentos muito fundos: exercícios de agachamento muito profundos em atividades físicas ou até mesmo ao se abaixar para levantar o peso podem lesionar o menisco, por isso muito cuidado com o movimento, principalmente pacientes mais idosos.
3.Virar rapidamente o corpo sobre uma perna: mudanças bruscas de direção enquanto andamos ou corremos pode ser o suficiente para levar o menisco a sofrer com uma lesão.
“Essa região é mais propensa a lesão em pessoas com sobrepeso ou que praticam esportes com impacto e giro. Também são bastante frequentes em pacientes acima dos 60 anos, pelo desgaste natural do nosso organismo”
O principal sintoma são fortes dores sobre a região (interna ou externa do joelho). O tipo de tratamento será indicado por um especialista ortopedista do joelho, que avaliará o nível da lesão e se há, ou não a necessidade de correção por cirurgia.
Já em relação as lesões ligamentares, as do ligamento cruzado anterior (LCA) são as mais frequentes do joelho, sendo a principal causa de cirurgia dentre as lesões desportivas totalizando mais de 250.000 casos por ano.
Apesar de poder ocorrer também em não praticantes de esportes, após uma queda ou tropeço, a grande maioria das rupturas do LCA ocorre por lesões atléticas sem contato. Estudos realizados na USP apresentaram incidência de lesão nas seguintes modalidades esportivas: 53,27% no futebol, 6,54% nas atividades de corrida, 5,6% nas atividades de academia, 4,67% no voleibol, ciclismo e surfe.
Outras modalidades menos comuns foram jiu-jitsu, capoeira, natação, caminhada, triatlon e dança; 80,37% das lesões isoladas do LCA no esporte foram em homens; no futebol essa incidência subiu para 87,72%. O sexo feminino foi responsável por 100% das lesões no handebol, 57,14% na corrida, 40% no voleibol e 16,67% na academia.
Lesões LCA podem ocorrer por uma variedade de mecanismos, incluindo alta energia (por exemplo, colisão de veículo motorizado, esqui alpino) e baixa energia. Estas podem envolver contato (por exemplo, golpe na lateral do joelho), mas lesões sem contato são mais comuns, sendo responsáveis por aproximadamente 70 por cento das rupturas do LCA. O mecanismo mais comum envolve uma lesão sem contato de baixa energia sofrida durante uma atividade atlética.
Os pacientes que sofrem uma lesão do LCA geralmente se queixam de sentir um "estalo" no joelho no momento da lesão, inchaço agudo e sensação de que o joelho está instável ou "frouxo". Quase todos os pacientes com lesão aguda do LCA manifestam derrame no joelho por hemartrose (sangue na articulação).
Em caso de apresentar os sintomas já descritos, é importante passar por uma avaliação médica onde serão realizados testes no joelho e a ressonância magnética será solicitada (ela é o melhor exame para o diagnóstico da lesão).
O tratamento agudo consiste em repouso, gelo, compressão do joelho lesionado e elevação da extremidade inferior afetada. As muletas podem ser necessárias para evitar o peso, principalmente se o joelho estiver instável.
Após esse momento, o tratamento a longo prozo deverá ser definido. Lesões do LCA podem ser tratadas cirurgicamente ou não. A decisão de fazer a cirurgia é baseada em vários fatores, incluindo o nível de atividade do paciente, as demandas funcionais colocadas no joelho e a presença de lesões associadas ao menisco ou outros ligamentos do joelho. Outros fatores, como idade e ocupação, também desempenham um papel.
Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.