Quedas na infância: quando se preocupar
Rdnews
Em comemoração ao Dia das Crianças, preparei dois artigos sobre saúde e cuidado na infância. Neste primeiro, o tema é o trauma ortopédico: como reconhecer sinais de alerta e o que fazer quando uma criança sofre uma queda ou pancada.
Correr, pular, andar de bicicleta e praticar esportes fazem parte de uma infância saudável. Mas quedas e batidas também acontecem — em casa, na escola, no parquinho ou durante uma brincadeira. Na maioria das vezes, são lesões leves. Ainda assim, é importante saber reconhecer quando um machucado precisa de avaliação médica e como agir até a criança ser atendida.
Nas crianças, uma fratura nem sempre é fácil de perceber. A dor pode ser o principal sinal, e a criança pode simplesmente parar de usar o braço, evitar apoiar o pé ou começar a mancar. Inchaço, hematoma e deformidade também podem aparecer, mas a ausência desses sinais não descarta uma lesão. Mesmo que a criança consiga mexer o membro, ainda pode haver fratura.
Quando procurar atendimento?
Depois de uma queda ou pancada, procure avaliação médica se a criança apresentar:
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dor importante, especialmente em um ponto específico;
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recusa em movimentar o braço ou a perna;
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dificuldade para apoiar o pé, caminhar ou continuar brincando;
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inchaço ou hematoma que aumenta;
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deformidade ou posição diferente do membro;
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dor que persiste ou piora, em vez de melhorar.
A dor pode ser o principal sinal, e a criança pode simplesmente parar de usar o braço, evitar apoiar o pé ou começar a mancar. Inchaço, hematoma e deformidade também podem aparecer, mas a ausência desses sinais não descarta uma lesão. Mesmo que a criança consiga mexer o membro, ainda pode haver fratura
Algumas situações exigem atendimento de urgência: ferida profunda ou com osso visível, deformidade evidente, sangramento que não cessa, dor muito intensa ou dedos da mão ou do pé pálidos, arroxeados, frios ou dormentes. Se a queda foi de grande altura, envolveu atropelamento ou impacto forte, ou se houver suspeita de lesão na cabeça, no pescoço ou nas costas, acione o serviço de emergência. No Brasil, o SAMU atende pelo 192.
O que fazer nos primeiros minutos?
Primeiro, interrompa a brincadeira e mantenha a criança calma. Observe onde dói e como aconteceu o acidente. Se você presenciou a queda, conte ao profissional de saúde como ela ocorreu. Esse detalhe pode ajudar na avaliação.
Evite movimentar o membro machucado. Mantenha-o imóvel, na posição em que foi encontrado. Se for necessário deslocar a criança e você conseguir fazer isso sem mexer na região dolorida, use uma tipoia ou tala improvisada apenas para protegê-la durante o trajeto. Não aperte o membro nem tente corrigir qualquer deformidade. Se houver suspeita de lesão na cabeça, no pescoço ou nas costas, evite mover a criança e chame o serviço de emergência.
Se houver ferimento, cubra-o com um pano limpo ou gaze. Em caso de sangramento, faça pressão cuidadosa ao redor da ferida, sem empurrar para dentro qualquer osso que esteja visível. Não massageie o local nem aplique produtos ou receitas caseiras.
Quando a lesão parecer leve e a criança estiver bem, uma compressa fria envolta em tecido pode ajudar no desconforto enquanto se observa a evolução. Não coloque gelo diretamente sobre a pele. Se a dor for forte, houver dificuldade para usar o membro ou a criança não melhorar, procure atendimento sem esperar que o inchaço apareça.
Por que não vale esperar “para ver se passa”?
A dor pode diminuir e, ainda assim, existir uma lesão que precise de cuidados. Em crianças, algumas fraturas são discretas. Além disso, certos traumas podem atingir a placa de crescimento, região responsável pelo crescimento dos ossos. Quando há suspeita desse tipo de lesão, o acompanhamento médico ajuda a verificar a recuperação e o desenvolvimento adequado do membro.
O retorno às brincadeiras e ao esporte também deve ser gradual. Se houve suspeita ou confirmação de fratura, a criança deve seguir a orientação da equipe que a avaliou antes de voltar a atividades com impacto, contato ou risco de novas quedas.
Celebrar o Dia das Crianças não é afastar os pequenos de toda aventura. É permitir que explorem, brinquem e se movimentem com segurança — e que os adultos saibam reconhecer quando uma queda precisa de atenção. Diante de dor persistente, perda de função ou qualquer sinal de gravidade, procure avaliação profissional.
Fellipe Ferreira Valle é médico ortopedista, professor de Medicina, pesquisador em Medicina Regenerativa e diretor técnico da Regend – Centro de Terapias Regenerativas e Controle da Dor. Atua há mais de uma década no ensino médico e no desenvolvimento de pesquisas voltadas à preservação da função musculoesquelética, tratamento da dor e medicina regenerativa. É autor dos livros Longevidade Articular – Intervir Antes de Degenerar: A Nova Era da Saúde Articular e Vencedor – O Caminho para Vencer a Dor. Instagram: @dr.fellipe