Saiba a causa da sua dor no quadril
Rodinei Crescêncio/Rdnews
A dor no quadril é muito comum e frequentemente causa incapacidade funcional. Acomete cerca de 5% da população jovem e naqueles com mais de 60 anos, a incidência é de 12% a 15%. Acomete mais o sexo feminino devido a diferença da anatomia e biomecânica do quadril que tende a ser mais largo que o dos homens.
Identificar as características da dor como quando iniciou, a localização, intensidade, fatores de melhora e piora, podem ajudar a estreitar as hipóteses clínicas e facilitar o diagnostico.
Aquelas dores de início repentino, de moderada a grande intensidade, acompanhadas de restrição das funções, podem se tratar de fraturas, osteonecrose e outras patologias graves e requerem avaliação médica urgente.
“A dor no quadril é muito comum e frequentemente causa incapacidade funcional”
Fellipe ValleJá outras patologias cursam mais lentamente, com piora progressiva da dor e da função. O diagnóstico precoce também é importante, pois pode tratar-se desde uma pequena inflamação até um processo neoplásico mais severo.
A seguir vamos discorrer sobre as principais causas de dor no quadril.
Artrose
É quando há o desgaste da cartilagem na articulação do quadril. Inicialmente pode doer a região da coxa e do joelho, depois pode ter dor na virilha e nas fases mais avançadas a pessoa começa a perder o movimento de rodar e abrir a coxa e há piora da dor. Isto reflete em dificuldade de realizar atividades simples do cotidiano.
Bursite trocantérica
Patologia frequente, é o resultado da inflamação da bolsa que existe na parte superior e lateral da coxa. A pressão direta sobre a região aumenta a dor e é difícil deitar-se sobre o lado afetado. Por todas estas manifestações, a bursite trocantérica pode prejudicar o sono, a realização de atividades físicas e reduzir significativamente a qualidade de vida.
Osteonecrose
Trata-se de um comprometimento vascular que leva à morte da porção afetada do osso, que geralmente é na parte superior da cabeça do fêmur. Entre os fatores de risco, o uso de glicocorticóides e o consumo excessivo de álcool estão associados a mais de 80% dos casos não-traumáticos. A dor no quadril é o sintoma mais comum, e costuma ser aguda e intensa.
Ressalto no quadril
Caracteriza-se por uma dor em queimação na região lateral da pelve que pode vir associado a um estalido que parece que a junta do quadril saiu do lugar. Isso se dá pelo ressalto do tecido chamado Banda Iliotibial, junto à parte proximal do fêmur, ou do músculo iliopsoas que ocorre na parte da frente da articulação do quadril, associado a movimento de flexão e rotação do quadril.
Síndrome de impacto do quadril
Lesão conhecida por ter aposentado o tenista Gustavo Kuerten. Comum em diversos esportes, a patologia tem maior incidência em adultos jovens, entre 20 e 40 anos. Geralmente os pacientes apresentam dor em região da virilha e na parte anterior da coxa, desencadeada por atividades esportivas. Nas fases iniciais, a dor ocorre após a atividade, mas com a evolução, pode ocorrer durante o treino podendo em muitos casos limitar ou impedir a realização dos exercícios. É comum a queixa de dor em movimentos de rotação do quadril como ao entrar e sair do carro e períodos prolongados na posição sentada. Estalidos e restrição da mobilidade do quadril também são queixas comuns.
Tendinopatias
É a inflamação dos tendões em torno do quadril, principalmente os glúteos. A tendinite provoca sintomas como dor ao caminhar, que irradia para a perna, ou dificuldade para mexer a coxa. Geralmente afeta atletas que praticam atividades como corrida, ciclismo ou futebol, mas também pode surgir em idosos devido ao desgaste progressivo da articulação do quadril. A tendinite no quadril tem cura na maior parte dos casos, no entanto, as chances de cura são maiores em pessoas jovens que fazem o tratamento precoce.
Tumores ósseos:
Esses são mais raros. Primários ou secundários só costumam cursar com dor mais tardiamente no decurso da doença. A dor é localizada e pode estar associada ao inchaço localizado dos tecidos moles. A dor associada a tumores malignos é frequentemente pior durante a noite. Sintomas sistêmicos, como perda de peso ou sudorese noturna podem também ocorrer.
O tratamento da maioria das lesões do quadril geralmente é feito com uso de antinflamatorios e analgésicos, compressas no local e fisioterapia. Em alguns casos é necessário realizar uma infiltração ou aplicação de terapia por ondas de choque. Já em casos mais graves pode ser necessário até o tratamento cirúrgico.
A melhor forma de prevenir é manter o peso adequado, praticar exercícios regularmente, realizar um trabalho adequado de alongamento antes das atividades físicas, não dormir apenas sobre um dos quadris e sempre que apresentar um quadro de dor persistente, procurar um ortopedista para que seja feito um diagnostico preciso e o tratamento adequado.
Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.