Vencendo a dor - Parte 4
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Dando continuidade ao projeto Vencendo a Dor — uma jornada em 6 semanas, chegamos a um ponto que gera dúvida para muitas pessoas que convivem com dor: o movimento. Depois de entender o papel da alimentação e do sono na redução da inflamação e na recuperação do corpo, surge uma questão comum: devo me movimentar mesmo com dor?
A resposta, na maioria dos casos, é sim — mas com direção.
O corpo foi feito para se movimentar. Músculos, articulações e tendões dependem do movimento para manter sua função. Quando o movimento diminui, o corpo se adapta. A musculatura perde força, as articulações ficam mais rígidas e a capacidade de absorver impacto se reduz. Com isso, a sobrecarga aumenta — e a dor tende a persistir ou até piorar.
É importante entender que o repouso tem seu lugar, principalmente em fases agudas ou após uma lesão. Mas, quando ele se prolonga além do necessário, passa a fazer parte do problema.
O corpo foi feito para se movimentar. Músculos, articulações e tendões dependem do movimento para manter sua função. Quando o movimento diminui, o corpo se adapta. A musculatura perde força, as articulações ficam mais rígidas e a capacidade de absorver impacto se reduz. Com isso, a sobrecarga aumenta — e a dor tende a persistir ou até piorar
Na prática, muitas pessoas entram em um ciclo: sentem dor, reduzem o movimento, perdem condicionamento físico, aumentam a sobrecarga e sentem ainda mais dor. Com o tempo, o corpo se torna menos tolerante ao esforço e mais sensível a estímulos que antes eram bem suportados.
Romper esse ciclo exige reintroduzir o movimento de forma gradual.
Não se trata de começar com intensidade, mas de retomar a atividade com consistência. Caminhadas leves, exercícios de mobilidade e fortalecimento progressivo já são suficientes para iniciar esse processo. O objetivo não é forçar o corpo, mas ensiná-lo novamente a se mover.
Outro ponto importante é a musculatura.
Músculos fortes ajudam a proteger as articulações, distribuir melhor as cargas e reduzir o impacto direto sobre estruturas mais sensíveis. Quando essa proteção está ausente, o corpo fica mais vulnerável à dor.
Além disso, o movimento tem efeitos que vão além da estrutura. Ele melhora a circulação, contribui para o controle da inflamação e estimula a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar. Isso influencia diretamente a forma como a dor é percebida.
Um erro comum é esperar a dor desaparecer completamente para então voltar a se movimentar. Na maioria das vezes, esse momento não chega sem que o movimento seja retomado.
Por isso, é importante ajustar a intensidade, respeitar os limites e evoluir de forma progressiva.
Movimento não é punição.
Movimento é tratamento.
Ao longo da prática clínica, fica claro que pacientes que conseguem manter algum nível de atividade, mesmo que adaptada, evoluem melhor do que aqueles que interrompem completamente.
No livro VENCEDOR — O caminho para vencer a dor, esse tema é aprofundado com orientações práticas sobre como iniciar, o que evitar e como evoluir com segurança, mesmo em presença de dor.
Se existe dor, o movimento precisa ser ajustado — não eliminado.
Na próxima etapa do projeto, vamos abordar um fator muitas vezes invisível, mas extremamente relevante: as emoções, os hábitos e o impacto deles na manutenção da dor.
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe