1º Festival de Dança Siriri movimenta Chapada dos Guimarães neste sábado
Evento reúne quatro grupos de João Carro, Chapada dos Guimarães, Cuiabá e Água Fria, com programação aberta e gratuita
Chapada dos Guimarães recebe neste sábado (13) o 1º Festival de Dança Siriri, que reúne quatro grupos representativos da cultura popular mato-grossense: Águas do Cachuá (Comunidade João Carro), Grupo Folclórico de Siriri Patucha (Chapada dos Guimarães), Buriti do Cerrado (Cuiabá) e Flor do Cambambe (Comunidade Água Fria). Cerca de 100 participantes, entre dançarinos, músicos e equipes, integram a programação, que celebra diferentes modos de fazer e dançar o siriri no estado.
As atividades acontecem ao longo do dia, com encerramento à noite nas apresentações públicas - realizadas no Centro Municipal de Educação Infantil Magia do Saber “Anita Goulart” (CMEI) e na Praça Dom Wunibaldo.
Divulgação
Buriti do Cerrado
O evento tem curadoria do artista e pesquisador Fernando Pael, que reforça a importância das trocas entre os grupos para a continuidade das tradições.
“O festival cria um espaço de visibilidade e troca entre grupos que mantêm viva a memória do siriri em diferentes regiões. É um momento de celebração, aprendizado e reconhecimento dos mestres e brincantes”, destaca Pael.
O 1º Festival de Dança Siriri é uma realização do Grupo Folclórico Patucha, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). A ação conta com o apoio do Deputado Estadual Lúdio Cabral, do Mosaico Cultural – Associação de Artes Integradas, da Prefeitura de Chapada dos Guimarães, da HM Produção Cultural, e da Associação Florescer Inspira.
PROGRAMAÇÃO — Sábado (13)
Atividades formativas no CMEI – das 11h às 16h
Centro Municipal de Educação Infantil Magia do Saber “Anita Goulart” (CMEI) - Avenida Olho D’Água, s/n, Bairro São Sebastião (em frente ao campo de futebol)
- 11h – Recepção dos participantes
- 12h – Almoço
- 14h – Roda de conversa
- Debate sobre dificuldades e desafios enfrentados pelos grupos
- Construção de uma carta-compromisso para diálogo com o poder público e a sociedade civil
- 16h – Oficina de instrumentos tradicionais:
- Viola de cocho
- Ganzá
- Mocho
- Após a oficina – Ensaio dos grupos
- 20h – Apresentações do Festival de Siriri
- Local: Praça Dom Wunibaldo
(Aberto ao público)
O que é o Siriri?
O Siriri é uma manifestação tradicional de Cuiabá e de diversas comunidades mato-grossenses. Segundo o estudo “O Siriri: Uma Manifestação Cultural”, de Sônia Gonçalina Pereira e Carlos Rinaldi (Revista de Comunicação Científica – RCC, 2025), a dança nasce da fusão de influências indígenas, africanas e europeias e é acompanhada por instrumentos como viola de cocho, ganzá e mocho, que dão o ritmo vibrante característico dessa expressão cultural. As informações aparecem no resumo e na introdução do artigo (p. 116–118)
Os autores explicam que os passos são simples e organizados em roda ou fileiras, e que os figurinos coloridos reforçam o caráter festivo das apresentações. Pereira e Rinaldi destacam ainda (p. 118–120) que o Siriri funciona como transmissão de memória e identidade, mantendo vivas histórias, valores e modos de vida que fortalecem o sentimento de pertencimento das comunidades
Grupo Folclórico de Siriri Patucha
Chapada dos Guimarães
Fundado em 2000, o Grupo Folclórico de Siriri Patucha é uma das principais referências da cultura popular de Chapada dos Guimarães. Surgiu de encontros espontâneos na Escola Estadual Ana Tereza Albernaz, quando os professores Deijanil Maria do Nascimento (Deja) e Pedro Boaventura da Silva (Pedrinho) passaram a tocar e cantar com as crianças, transformando essas vivências em um projeto artístico e comunitário. O nome Patucha tem origem na sigla Panorama Turístico de Chapada, usada nos anos 1970 para denominar um clube local onde o siriri era presença constante. Ao longo de 25 anos, o grupo se consolidou como espaço de convivência, formação e preservação dos saberes tradicionais, difundindo Cururu, Siriri e outras expressões locais.
Divulgação
Patucha
A trajetória do grupo é registrada em diferentes produções culturais. Em 2021, foi homenageado com uma websérie e um livro do projeto “Aos Mestres, com carinho” (Secel-MT / Lei Aldir Blanc). Em 2024, lançou o curta-metragem “Pelo Cururu e Siriri em Chapada dos Guimarães”, dirigido por Fernando Pael e produzido por Luiz Carlos Bezerra, distribuído gratuitamente nas escolas. Unindo dança, música, oralidade e religiosidade popular, o Patucha mantém vivo o elo entre tradição e formação de novas gerações, reafirmando seu papel central no fortalecimento da cultura chapadense e mato-grossense.
Grupo Águas do Cachuá
Chapada dos Guimarães
O Grupo Águas do Cachuá, da comunidade rural de João Carro, em Chapada dos Guimarães, é uma das principais expressões do siriri feminino em Mato Grosso. Fundado em 12 de junho de 2022, surgiu de encontros promovidos pelas filhas do professor Jacondino Bezerra, que reuniam mulheres para refletir sobre o cotidiano no campo e transformaram essas vivências em um projeto artístico voltado à cultura e à transformação social. A liderança é das irmãs Dona Luísa Bezerra, mestra do cururu e siriri, e Dona Matilde Bezerra, diretora artística e presidente fundadora, com direção cultural e coreográfica de Fernando Pael e madrinha Dona Domingas Leonor, do Grupo Flor Ribeirinha.
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Águas do Cachuá
Localizado próximo ao Lago do Manso, o grupo reúne 12 dançarinas, 9 músicos e 3 integrantes na produção, fortalecendo-se como expressão de fé, resistência e memória coletiva. O nome homenageia o músico Carlito Cachuá e o antigo córrego Cachuá, hoje extinto, reafirmando a ligação com o território. Desde sua estreia no Festival de Inverno de Chapada, em 2023, com o espetáculo “Alegria de João Carro”, o Águas do Cachuá mantém ensaios semanais e amplia sua atuação, reafirmando o protagonismo das mulheres da comunidade na preservação do siriri.
Grupo Buriti do Cerrado
Cuiabá
O Grupo Buriti do Cerrado nasceu em 2016, formado por educadores da Educação Infantil da Rede Municipal de Educação de Cuiabá, durante o Projeto Enkantus, no CECS. A criação do grupo foi inspirada pelas memórias afetivas dos avós e pais que cantavam e dançavam siriri, e teve como grande incentivadora a professora Karoline Marcielle de Oliveira Amorim, cuja influência permanece viva na trajetória do coletivo. A partir de 2017, o grupo ampliou seu trabalho no CMEI Paulo Ronan Ferraz Silva, ensinando siriri a alunos, comunidades escolares e demais interessados, gerando uma nova geração de integrantes composta por filhos, estudantes e membros da comunidade. Seu propósito é valorizar e resgatar a cultura cuiabana por meio da arte, mantendo ações pedagógicas e culturais que reforçam o amor pelas tradições.
O Buriti do Cerrado tem como padroeiros São Gonçalo e Nossa Senhora Aparecida, a quem dedica suas danças, pedidos de proteção e gratidão. Em 2019, o grupo obteve a patente do nome e da logomarca, e em 2021 formalizou sua Associação Cultural, hoje registrada sob CNPJ 46.971.210/0001-28, com alvará de funcionamento e demais documentações. Atualmente composto por 14 integrantes diretos e 6 indiretos, o grupo se sustenta por meio de rifas, doações, brechós solidários e apresentações em eventos, mantendo vivo seu compromisso com a valorização, propagação e preservação do siriri. O coletivo agradece a Deus e ao 1º Festival de Siriri de Chapada dos Guimarães pela oportunidade de compartilhar seu trabalho.
Grupo Flor do Cambambe
Chapada dos Guimarães
O Grupo Flor do Cambambe, da comunidade de Água Fria, em Chapada dos Guimarães, é um dos coletivos mais antigos dedicados ao siriri em Mato Grosso. Criado em 1967, durante uma festa de santo realizada na comunidade, o grupo recebeu o nome em homenagem ao Morro do Cambambe, referência geográfica da região. Informações sobre a origem e o contexto local aparecem no estudo “Reflexões sobre a dança siriri e processos identitários em Cuiabá-MT”, de Giordanna Santos (Facom/UFBa, 2010), que descreve Água Fria como um distrito de formação garimpeira, isolado geograficamente e profundamente ligado à cultura popular e à religiosidade tradicional
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Flor do Cambambe
Ainda segundo o estudo, os responsáveis pelo grupo, Deodato Alves de Oliveira e Regina Márcia Fernandes, relatam que a visibilidade do Flor do Cambambe aumentou nos últimos anos, especialmente à medida que o siriri passou a ser reconhecido pelo poder público e pelos meios de comunicação. Regina sintetiza essa relação ao afirmar que “o interesse começou quando descobriram que o siriri também dá voto”, revelando as dinâmicas entre cultura, política e mídia. Apesar disso, o Flor do Cambambe mantém o siriri como prática comunitária, preservando uma tradição que atravessa gerações e permanece viva na zona rural de Chapada dos Guimarães.
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Serviço
1º Festival de Dança Siriri – Chapada dos Guimarães Data: 13 de dezembro de 2024
Local: Praça Dom Wunibaldo e espaços comunitários de Chapada dos Guimarães
Horários:
A partir das 11h: Recepção e atividades formativas
14h: Roda de conversa
16h: Oficina de instrumentos (viola de cocho, ganzá e mocho)
20h: Apresentação dos grupos na Praça Dom Wunibaldo
Redes sociais: Instagram – @grupo.patucha