A comunidade do Coxipó do Ouro realiza, nos dias 17 e 18 de outubro, a tradicional Festa de São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida, com programação religiosa, cururu, siriri, bailes e refeições gratuitas. O festejo será na Chácara da Bela, a 20 km de Cuiabá, com entrada livre.
A programação inclui missa, levantamento e descida do mastro e reza cantada, além de café da manhã, almoço e jantar. A celebração também será uma oportunidade para os participantes da formação do Pontão de Cultura INCA apresentarem os conhecimentos trabalhados nas oficinas.
Realizada há mais de 30 anos, a festa mantém uma tradição familiar que começou na comunidade de Sangradouro, em Santo Antônio de Leverger. Os responsáveis eram Tio Catum e Tia Eulina, tios de Dona Bela, ambos já falecidos. A família deu continuidade à celebração, preservando a devoção aos santos e o encontro entre moradores.
Outra manifestação dessa tradição ocorreu no dia 9 de outubro, durante a 40ª Festa do Padroeiro São Francisco, na região do Coxipó, em Cuiabá. Após a missa, a Noite Cuiabana reuniu os grupos Coração Tradição Franciscano, Siriri Elétrico, Flor de Atalaia e a Associação dos Cururueiros. O jantar teve pratos regionais, como Maria Isabel, farofa de banana e sarapatel.
Formação cultural
As celebrações integram o contexto de atuação do Pontão de Cultura INCA, coordenado pelo Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação. A iniciativa oferece uma formação de oito meses a grupos de Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio de Leverger, Acorizal, Poconé e Barão de Melgaço.
Segundo a coordenadora do Pontão, a antropóloga Poliana Queiroz, a proposta é ampliar o acesso à formação cultural, especialmente nas comunidades rurais, e estimular oportunidades de geração de renda.
Na comunidade de Boa Ventura, em Santo Antônio de Leverger, mulheres demonstraram interesse em produzir biscoitos para venda e organizar cafés da manhã para turistas, ciclistas e cavaleiros. No Coxipó do Ouro, a gastronomia tradicional também é trabalhada como fonte de renda e forma de valorização dos conhecimentos locais.
O primeiro módulo, realizado virtualmente, abordou gestão cultural, captação de recursos, economia criativa, trabalho em rede, articulação e acessibilidade cultural. A segunda etapa reúne oficinas de musicalização, dança, coreografia, siriri, gastronomia tradicional e redes sociais, com a participação de mestres da Associação dos Cururueiros.
As atividades combinam a transmissão das tradições com ferramentas de comunicação para ajudar os grupos a divulgar seu trabalho e alcançar novos públicos.
Troca de conhecimentos
As oficinas variam conforme as características de cada comunidade. Em Cuiabá, abrangem musicalização, siriri, comunicação digital e gastronomia. Em Santo Antônio de Leverger, incluem gastronomia, coreografia, musicalização e comunicação, com intercâmbio entre os grupos Coração Tradição Franciscano e Vitória Régia do Pantanal.
Em Acorizal e Poconé, o foco das oficinas de redes sociais é ampliar a divulgação das iniciativas culturais. Já em Barão de Melgaço, o grupo Pôr do Sol do Pantanal participa das formações em musicalização e comunicação.
A Associação dos Cururueiros também recebe orientações para organizar conteúdos e compartilhar conhecimentos sobre o cururu. A proposta fortalece a transmissão da tradição às novas gerações, com atividades que despertam o interesse de crianças, adolescentes e jovens pela viola de cocho. (Com assessoria)
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Mais informações sobre o Pontão estão disponíveis no site institutoinca.com.br e no Instagram @institutoincamt.
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