Acerto de propina a Thelma foi feito para ajudar Chapada dos Guimarães, diz Silval
Ex-governador repassou R$ 1 mi, sendo que R$ 500 mil teriam sido entregues ao irmão de Thelma
O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirma que o único interesse em repassar R$ 1 milhão, a título de propina, para a ex-deputada federal Thelma de Oliveira (PSDB), que hoje é prefeita de Chapada dos Guimarães (a 65 km de Cuiabá), foi de resolver a questão do saneamento do município. Ele também nega ter tido vantagem indevida nesta situação. A declaração foi prestada em 9 de maio deste ano, na sede da Procuradoria da República em Mato Grosso, no acordo de delação premiada do peemedebista.
Silval, que é delator de uma série de crimes de corrupção praticados enquanto governador, conta que a propina seria uma exigência de Thelma para liberar uma emenda parlamentar de R$ 10 milhões que ela tinha com a União. A situação ocorreu entre 2010 e 2012. Durante o depoimento, estavam presentes a procuradora da República Vanessa Cristina Marcondes Zago e o advogado de Silval, Délio Lins e Silva Júnior.
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Ex-governador Silval Barbosa ao lado do advogado Délio Lins durante delação premiada
Silval conta que logo após assumir o governo, em 2010, em razão da desincompatibilização do então governador Blairo Maggi, atualmente ministro da Agricultura, foi procurado pela então deputada federal. A reunião ocorreu no gabinete de Silval, ocasião em que Thelma teria exposto que tinha emendas parlamentares.
“Que segundo Thelma, para aplicar tal emenda, o declarante teria que auxiliá-la no retorno de R$ 1 milhão, sendo que nesta reunião disse ao declarante em Chapada dos Guimarães havia necessidade de execução de um projeto de sistema de captação, tratamento e distribuição de água no município”, conta o ex-governador. A ex-parlamentar teria dito, inclusive, que Silval poderia aplicar os recursos da emenda em outros projetos, “desde que mediante o pagamento da propina no valor de R$ 1 milhão”.
De acordo com Silval, Thelma dizia que necessitaria do recurso para utilizar na campanha de reeleição em 2010. Ele admite ter concordado com a proposta de Thelma, tendo se comprometido em antecipar o retorno de R$ 1 milhão, passando a fazer gestão para a liberação da emenda a partir de então.
A emenda foi aprovada no Congresso e o recurso foi liberado entre 2011 ou 2012. “Que a antecipação do recurso ajustada entre o declarante e Thelma foi a ela repassada a quantia de R$ 500 mil em dinheiro, sendo que o dinheiro foi entregue para o irmão da mesma, chamado Robson”, detalha o peemedebista, sem se recordar quem efetivamente fez a entrega.
Apesar do pagamento parcial, a ex-deputada teria continuado a pressioná-lo a fim de receber o restante do valor. “[...] razão pela qual o declarante pediu para o amigo pessoal Wanderley Facheti Torres, proprietário da Trimec Construção e Terraplanagem Ltda, repassar o valor que faltava pagar a Thelma, pois não aguentava mais as cobranças insistentes dela”, destaca Silval.
“O declarante teve que valer de outros retornos no valor de R$ 500 mil para poder adimplir Thelma”
O ex-governador declara que Wanderley entregou um cheque pessoal a então parlamentar, no valor de R$ 500 mil, mas que acabou sendo devolvido por falta de provisão de fundos, razão pela qual ela continuou o cobrando. “[...] ao que parece, esse cheque teria sido trocado numa factoring por Thelma ou o irmão Robson”, acrescenta o ex-governador ao garantir que não pagou o cheque.
Na sequência, o delator explica que se utilizou da emenda de Thelma e, posteriormente, quando da execução da obra, chegou de conversar com o proprietário da construtora Nhambiquaras, quem acredita ser Rômulo Botelho, para que fosse realizado o repasse que a ex-parlamentar pleiteava, o que não aconteceu.
“[...] e o declarante teve que valer de outros retornos no valor de R$ 500 mil para poder adimplir Thelma. E que o declarante acredita que esse valor tenha vindo do retorno da empresa Encomid em relação ao precatório pago pelo governo no ano de 2010”, conclui.
Outro lado
Ao #rdnews, Thelma refuta integralmente o teor das declarações prestadas por Silval. “Já disse que é mentira, não tenho nada a ver com isso”, afirma.