O ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP), quando governador, teria chorado por conta de dívidas contraídas pelo então ex-secretário de Estado Eder Moraes com o empresário Gerson Mendonça Junior, o Junior Mendonça – dono da Globo Fomento Ltda. e Comercial Amazônia de Petróleo Ltda.
A revelação foi feita pelo ex-governador Silval Barbosa, em seu acordo de colaboração premiada (delação) com a Procuradoria Geral da República (PGR). Em depoimento prestado em 15 de maio, o ex-governador revela que em 2011, quando ocupava o Palácio Paiaguás, Blairo o procurou e se mostrou muito preocupado com as cobranças feitas por Júnior Mendonça. Na época, a dívida somava mais de R$ 20 milhões.
O peemedebista diz que o ministro chegou a chorar na sua frente, “lamentando a situação em que Eder o havia envolvido”. No encontro, o Blairo teria pedido para Silval pagar a divida com o empresário. O delator, no entanto, disse que não poderia, pois já havia assumido muitas dívidas criadas no governo de Blairo com o empresário Valdir Piran, BicBanco e outros, e não estava conseguindo quitar tais dívidas.
Blairo, segundo Silval, disse que tentaria encontrar uma solução para resolver esse problema. Dias após, o ex-governador voltou a se encontrar com o ministro em Brasília – na época, ainda como senador em exercício. Na ocasião, Blairo teria dito que havia conversado com um representante das Transportadoras de Mato Grosso, chamado Luiz Martelli, dono da Martelli Transportes Ltda.
Segundo Silval, ele foi informado que o empresário poderia quitar as dívidas com Júnior desde que em contrapartida o governo reconhecesse um crédito de ICMS dos combustíveis que as transportadoras teria direito.
O peemedebista afirma que aceitou ajudar Blairo. Alguns dias depois, ele teria sido procurado por Martelli, que confirmou a versão do ministro. Após o aval da secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) para o reconhecimento dos ICMS, o empresário concordou com o “retorno”, que deveria ser feito direto a Júnior Mendonça. No depoimento, Silval diz que depois de julho de 2011 Martelli e seu irmão, Genir Martelli, entregaram a Júnior três notas promissórias com datas de vencimentos anuais.
Conta de livre acesso
Silval relembra que tinha conhecimento de que entre os anos de 2008 e 2010, Eder operava uma “conta corrente” com Júnior com ciência e aval de Blairo. Com os recursos recebidos pelo empresário, de acordo com o depoimento, o ex-secretário honrava os compromissos políticos do grupo do ministro.
Por ter “livre acesso” ao governador, Silval declara que no final de 2010 foi procurado pelo empresário em seu gabinete. Na conversa, Júnior cobrou o peemedebista quanto a uma dívida de R$ 17 milhões operada por Eder.
Silval declarou que não tinha participação na dívida e que não havia assumido até aquele momento nenhum compromisso com Blairo em quitar o débito. O delator, no entanto, se comprometeu a conversar com o progressista.
“Blairo respondeu ao declarante que não reconhecia esse débito e por isso não arcaria com o pagamento, motivo pelo qual o declarante foi novamente conversar com Júnior Mendonça, informando que Blairo não quitaria essa dívida, pois não a reconhecia”, diz trecho do depoimento. Por conta da negativa, Júnior tentou conversar com Blairo outras vezes, sem sucesso.
Silval diz ter ficado sabendo que o empresário pediu ajuda ao seu então sogro, o ex-conselheiro do TCE Ari Campos (falecido), que marcou uma reunião com Blairo na sede da empresa Amaggi, em Cuiabá. Sem saber, o ministro agendou a reunião. No encontro, Blairo ficou de conversar com Silval, para pensar em uma solução. Sem uma resposta, segundo o depoimento, Júnior começou a cobrar Blairo com mais “veemência”, ameaçando denunciar o ministro, caso a dívida não fosse paga.








Said Joseph 28/10/2017
Até tu, Blairo! Tinhas também que pegar uma boquinha nos cofres do Estado?said
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