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Delação de Silval Terça-feira, 24 de Outubro de 2017, 17:00 - A | A

Terça-feira, 24 de Outubro de 2017, 17h:00 - A | A

Irmão de Silval admite ter recebido até R$ 170 mil de propina paga por gráficas veja

Eduarda Fernandes

O irmão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), Antônio da Cunha Barbosa Filho, o Toninho Barbosa, afirma que recebeu entre R$ 120 mil a R$ 170 mil oriundos de propina paga por gráficas de Cuiabá e Várzea Grande. A declaração foi prestada em depoimento em 4 de maio deste ano à procuradora da República Vanessa Cristhina Scarmagnani, que compõem o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Conforme Toninho, o pagamento foi intermediado pelo então secretário estadual de Administração, Pedro Elias Domingues de Melo. A propina teria sido paga entre 2012 e início de 2014.

Sem precisar uma data específica, Toninho relata que Pedro Elias o procurou entre 2011, dizendo que havia “gráfica de Várzea Grande e Cuiabá disposta a pagar propina na SAD” e oferecendo participação no rateio dessa propina. Em troca, Toninho teria que interceder junto a Silval para que os pagamentos dessas gráficas fossem realizados em dia.

Ele admite ter aceitado a proposta de Pedro, mas nega ter feito qualquer intercessão junto a Silval, pois o ex-governador “somente tomou conhecimento dos pagamentos algum tempo depois”.

Reprodução

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Toninho Barbosa lê depoimento para procuradora ao lado do advogado Délio Lins da Silva

Toninho, um dos delatores de esquemas na gestão do irmão, diz que nessa conversa não ficou acertado quais valores nem qual porcentagem receberia a título de vantagem ilícita. Após o acerto, ressalta que Pedro Elias “passou a lhe entregar, sempre que havia pagamento das gráficas pelo governo, valores distintos entre R$ 3 mil a R$ 15 mil, em dinheiro em espécie, acreditando que no total tenha recebido de propina das gráficas o montante de R$ 120 mil a R$ 170 mil”.

Ainda no depoimento, o irmão de Silval cita que os valores eram entregues pelo ex-secretário sempre em mãos, ora na residência localizada no condomínio Alphaville, ora em seu escritório na avenida Historiador Rubens de Mendonça, em Cuiabá.

“Que sempre que Pedro Elias lhe entregava tais valores, ele dizia que a propina estava limpa, que não tinha pegado nada. Razão pela qual o declarante (Toninho) tirava uma parte do valor que recebia e devolvia a Pedro Elias. Por exemplo, se Pedro Elias trazia R$ 10 mil, o declarante devolvia a quantia entre R$ 1 mil a R$ 2 mil, não havendo percentual definido”, explica o delator.

Por fim, Toninho declara que nunca teve contato com nenhum dos proprietários das gráficas, bem como não tem conhecimento se o processo licitatório que culminou na contratação das mesmas teve algum tipo de fraude a fim de direcioná-las para obtenção do contrato com o governo. “Nem mesmo tem ciência de quais gráficas se trata. Nada mais a declarar, encerra o presente termo”.

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Said Joseph 25/10/2017

Família que rouba unida, permanece unida.

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