Cultura anti-importação de insumos afeta competitividade do país, defende Blairo
Carlos Palmeira
2º Fórum das Cadeias Produtivas, que integra a 53ª Expoagro, foi aberto hoje em Cuiabá
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi (PP), defendeu que o Brasil tem uma cultura anti-importação em relação a insumos agrícolas e da pecuária e que isso tem prejudicado o setor no país. O ministro pontuou que a visão faz com que a indústria brasileira não conheça produtos diferenciados e fique atrás de vários mercados.
O ponto de vista foi defendido na manhã desta segunda (10) na abertura do 2º Fórum das Cadeias Produtivas, que integra a programação da 53ª Expoagro, em Cuiabá. O fórum, que segue até a próxima sexta (14), foi aberto com o painel “Agronegócio nos dias de hoje e as perspectivas para o futuro”, onde vários outros representantes lembraram das dificuldades do ramo.
Blairo argumentou que o fato de poucos produtos diferenciados adentrarem na indústria de alimentos do Brasil acaba fazendo com que o setor não corra atrás dessa competitividade. Além disso, o ministro disse que o brasileiro tem medo de que as importações destruam o nosso processo produtivo.
“Dos grandes países produtores de alimentos o Brasil é o mais fechado. Os Estados Unidos exportam trezentos bilhões (de dólares) por ano e importam quase o equivalente. A China também. No caso do Brasil, nós exportamos 71 bilhões de dólares em alimentos e importamos apenas 11% disso”, explicou.
Sobre o momento vivido especificamente pela pecuária, o representante declarou que ainda estão sendo contabilizandos os danos causados pela Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março. Apesar de atualmente apenas um país ainda impor bloqueio à proteína brasileira, ele defendeu que a crise de imagem ainda perdura.
Mato Grosso
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Normando Corral, disse que realizou uma reunião com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES), um dos principais financiadores da JBS, para verificar a situação da empresa e garantir que ela não saísse do Estado.
“Essa possibilidade nos deixa muito apreensivos. Uma empresa com esse porte deixando de operar em Mato Grosso traria estragos enormes para os produtores. Ela comanda quase metade dos frigoríficos aqui”, lembrou.
Endrigo Dalcin, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), disse que os grãos brasileiros estão entre os melhores do mundo, mas que eles perdem em competitividade por causa de fatores como a logística.
“Nosso milho passa por secagem natural, por exemplo. Isso torna o produto mais natural e vira um atrativo muito grande em vários mercados. Só que do outro lado é muito comum você ouvir reclamação lá fora do tanto de tempo em que nossa soja e milho demoram para ser entregues”, pontuou.
O presidente do Sindicato Rural de Cuiabá, Jorge Pires, concordou com a fala do ministro Blairo e voltou a citar que 2017 é o ano mais complicado para a pecuária pelo menos em relação às duas últimas décadas. Apesar disso, Jorge defendeu que todos os problemas que a agropecuária têm encarado são pontuais e que está sendo feito um grande trabalho para “mostrar que a nossa atividade é segura e exercida dentro da legalidade brasileira e internacional”.