Entidades repudiam critica ao agro em samba enredo de escola carioca
Grêmio Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense se apresenta na Sapucaí em fevereiro com o tema “Xingu: o clamor que vem da floresta”; ala 09 é denominada "Olhos da Cobiça"
Diversas entidades que representam o agronegócio em Mato Grosso e no país se posicionaram de maneira contrária à abordagem dada ao samba-enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2017. A escola carioca se apresentará na Sapucaí com o tema “Xingu: o clamor que vem da floresta”.
A escola de samba terá uma ala chamada de “Fazendeiros e seus agrotóxicos”, outra chamada de “Doenças e Pragas” e mais uma nomeada de “Olhos da Cobiça”. Todas fazem referência e são críticas ao agronegócio. O objetivo da temática, segundo a agremiação, é fazer com que a sociedade brasileira faça uma reflexão sobre a situação de algumas populações indígenas no país e como a atividade agropecuária em grande escala tem contribuído com o desmatamento e extinção de algumas espécies nativas.
A música tem trechos como “O belo monstro rouba as terras dos seus filhos. Devora as matas e seca os rios. Tanta riqueza que a cobiça destruiu. Sou o filho esquecido do mundo”. A composição foi assinada por Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna.
O samba-enredo fará referência ao Parque Indígena do Xingu, situado no nordeste de Mato Grosso. A região tem mais de 2,5 mil hectares e foi criada em 1961, pelo então presidente Jânio Quadros.
A escola será a terceira a se apresentar na Sapucaí em 26 de fevereiro.
Reação
Entre as entidades que se posicionaram contra a abordagem estiveram a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato (Pecuária), Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat).
As instituições avaliam com preocupação a possibilidade da apresentação da escola reforçar posições preconceituosas em relação ao setor. Elas lembraram a importância da produção agrícola no contexto nacional e internacional e que, infelizmente, existe muito desconhecimento de parte do público sobre o trabalho realizado no campo.
A Famato, por exemplo, publicou nesta quarta (11) um comunicado oficial, em conjunto com outras entidades, afirmando que “se não fosse a evolução tecnológica que conquistamos ao longo dos anos, certamente não chegaríamos à produção sustentável que temos hoje, que permite elevar a produção de alimentos na mesma área, sem a necessidade de novas aberturas”.
A federação e as outras entidades representativas fizeram questão de deixar claro que respeitam a licença poética dos carnavalescos, mas esperam "que a criatividade artística não reforce opiniões preconceituosas e errôneas sobre a atividade agropecuária com informações que não correspondem à realidade de quem vive o campo”.
Além das associações de Mato Grosso, federações nacionais também se posicionaram sobre a questão, como foi o caso da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Associação Brasileira dos Produtores de Semente de Soja (Abrass).
Veja, abaixo, a íntegra das três notas publicadas pelas entidades do agronegócio de MT e do país:
Nota conjunta
O Brasil já foi reconhecido internacionalmente como o país do futebol e do Carnaval. Hoje a realidade é outra: também somos reconhecidos como grande líder na produção de alimentos de forma sustentável, destacando-nos fortemente frente a outros países no mundo. Conquistamos estas posições graças ao talento, à criatividade e ao trabalho do povo brasileiro.
Por respeitar a manifestação cultural do Carnaval e reconhecer seu poder em divulgar a cultura e a história brasileiras, as entidades que representam a agricultura e pecuária de Mato Grosso e a Aprosoja Brasil vêm a público manifestar sua preocupação na forma com que a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense irá abordar a atividade agropecuária no seu samba-enredo deste ano, cujo tema é Xingu, o Clamor da Floresta.
Preocupa-nos sobremaneira a forma como a escola contextualizou o samba-enredo e as fantasias abordando negativamente alguns dos aspectos da produção, como a ocupação das terras e a utilização de defensivos.
Se não fosse a evolução tecnológica que conquistamos ao longo dos anos, certamente não chegaríamos à produção sustentável que temos hoje, que permite elevar a produção de alimentos na mesma área, sem a necessidade de novas aberturas.
Como disse o ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1970, Norman Ernest Borlaug, referindo-se a agricultura mundial: Para aqueles cuja principal preocupação é defender o ambiente’, vamos olhar o impacto que a aplicação da agricultura baseada na ciência teve sobre o uso da terra. Se a produtividade dos cereais de 1950 tivesse permanecido em 1999, teríamos precisado de 1,8 bilhão de hectares adicionais de terra da mesma qualidade, em vez dos 600 milhões que foram usados”.
Respeitamos a licença poética dos carnavalescos, mas esperamos que a criatividade artística não reforce opiniões preconceituosas e errôneas sobre a atividade agropecuária com informações que não correspondem à realidade de quem vive o campo.
Somos o único país com 61% das espécies nativas resguardadas em terras indígenas, unidades de conservação da biodiversidade, Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Somente 27,7% do território brasileiro é destinado à agropecuária. O Agro brasileiro é obediente a uma das mais severas e rigorosas legislações sociais e ambientais do mundo.
O Agro também é motivo de orgulho.
FAMATO – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso
ACRISMAT – Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso
AMPA – Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão
APROSMAT – Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso
APROSOJA – Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso
APROSOJA BRASIL – Associação dos Produtores de Soja do Brasil
Nota da Acrimat
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT), entidade que representa a pecuária de corte no Estado, repudia a atitude da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, no que diz respeito ao enredo, alas e fantasias do carnaval de 2017 no Rio de Janeiro, que entende como impróprios e irresponsáveis ao tratar o agronegócio como culpado por eventuais mazelas vividas pelos indígenas. Os milhões de brasileiros que atuam na agropecuária sentiram-se atingidos pela ignorância da Imperatriz que, nesses quesitos, denigre a importância do setor produtivo. Os resultados do campo são inquestionáveis e estão presentes todos os dias na mesa, também, dos dirigentes, sambistas, passistas e de todas as alas dessa escola de samba. A Associação crê que não existe outra forma de sintetizar proteínas que não seja pela utilização da terra, da água e do sol, portanto a agropecuária continuará sendo a atividade mais importante para a sobrevivência da humanidade. Em Mato Grosso 61% das áreas são preservadas, conciliando sustentabilidade econômica e ambiental. Garantindo a liderança na produção agrícola e o maior rebanho bovino do Brasil, respeitando as reservas, o espaço e a cultura dos povos indígenas. A Acrimat espera que o Estado brasileiro cumpra suas obrigações constitucionais, defendendo toda sua população, enquanto o agronegócio continuará produzindo proteínas animais e vegetais para que o Brasil perenize a oferta de alimentos em quantidade e qualidade necessária à continuidade da vida.
Marco Túlio Duarte Soares
Presidente da Acrimat
NOTA CONJUNTA DE REPÚDIO
A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS), em conjunto com a Associação Goiana dos Produtores de Sementes e Mudas (AGROSEM), a Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do MATOPIBA (APROSEM) e a Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (APROSMAT), repudia veementemente o samba-enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, intitulado “Xingu, o clamor da floresta”, a ser cantado no carnaval deste ano no Rio de Janeiro.
Com alas chamadas “Fazendeiros e Seus Agrotóxicos” e “Pragas e Doenças”, o enredo de 2017 da Imperatriz Leopoldinense vem carregado de desinformação sobre a realidade do agronegócio brasileiro, quando chama-o de “belo monstro” que “rouba as terras dos seus filhos, e acaba com as matas e seca os rios”.
O setor produtivo de semente de soja não pode fechar os olhos para as inverdades que o enredo cita, tendo em vista que o carnaval carioca é uma festa que atrai os olhares do mundo todo. Não se pode defender os índios denegrindo o agronegócio.
É importante ressaltar que o Brasil, entre os principais países produtores agrícolas, é o que mais preserva suas matas nativas. O agronegócio não rouba as terras de seus filhos, pelo contrário, cuida das terras em que produz e garante o alimento de cada dia de toda uma nação.
Aos autores do samba enredo, faltou o conhecimento sobre a importância do agronegócio brasileiro aos olhos do mundo, pois o Brasil, que por muitos anos foi um grande importador de alimentos, hoje é um dos maiores exportadores, campeão mundial de produção de grãos e de proteína animal. Além de apresentar resultados significativos em geração, transferência e adoção de tecnologias e pesquisas.
Apesar da crise econômica que o Brasil vem enfrentando, o agronegócio brasileiro tem assegurado a geração de emprego e renda no País e é responsável por 22% do PIB Nacional. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Valor Bruto da Produção (VBP) da soja, por exemplo, é de R$ 118 bilhões, que representa 32,3% do VBP agrícola. Esse dado representa a evolução do desempenho das lavouras ao longo dos anos e corresponde ao faturamento dentro do abastecimento.
Sobre os agrotóxicos, é importante destacar que, devido ao clima tropical do Brasil, muitas pragas e doenças se desenvolvem. Para garantir a produção e qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor final, é preciso fazer um controle defensivo. Sem esse monitoramento, a produção alimentícia pode cair pela metade, o que resultaria na falta de abastecimento das refeições.
As entidades ABRASS, AGROSEM, APROSEM e APROSMAT, em nome de todos os seus associados, não poderiam deixar de se posicionar diante dessa injustiça a este segmento que tem garantido resultados positivos ao Brasil.
Marco Alexandre Bronson e Sousa
Presidente da ABRASS
José Fava Neto
Presidente da AGROSEM
Laerte Baechtold
Presidente da APROSEM
Gilberto Flávio Goellner
Presidente da APROSMAT