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ECONOMIA Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017, 17:59 - A | A

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carnaval

Entidades repudiam critica ao agro em samba enredo de escola carioca

Carlos Palmeira

samba enredo ala chegada dos invasosres

Grêmio Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense se apresenta na Sapucaí em fevereiro com o tema “Xingu: o clamor que vem da floresta”; ala 09 é denominada "Olhos da Cobiça"

Diversas entidades que representam o agronegócio em Mato Grosso e no país se posicionaram de maneira contrária à abordagem dada ao samba-enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2017. A escola carioca se apresentará na Sapucaí com o tema “Xingu: o clamor que vem da floresta”. 

A escola de samba terá uma ala chamada de “Fazendeiros e seus agrotóxicos”, outra chamada de “Doenças e Pragas” e mais uma nomeada de “Olhos da Cobiça”. Todas fazem referência e são críticas ao agronegócio. O objetivo da temática, segundo a agremiação, é fazer com que a sociedade brasileira faça uma reflexão sobre a situação de algumas populações indígenas no país e como a atividade agropecuária em grande escala tem contribuído com o desmatamento e extinção de algumas espécies nativas.

A música tem trechos como “O belo monstro rouba as terras dos seus filhos. Devora as matas e seca os rios. Tanta riqueza que a cobiça destruiu. Sou o filho esquecido do mundo”. A composição foi assinada por Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna.

O samba-enredo fará referência ao Parque Indígena do Xingu, situado no nordeste de Mato Grosso. A região tem mais de 2,5 mil hectares e foi criada em 1961, pelo então presidente Jânio Quadros.

A escola será a terceira a se apresentar na Sapucaí em 26 de fevereiro. 

Reação

Entre as entidades que se posicionaram contra a abordagem estiveram a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato (Pecuária), Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat).

As instituições avaliam com preocupação a possibilidade da apresentação da escola reforçar posições preconceituosas em relação ao setor. Elas lembraram a importância da produção agrícola no contexto nacional e internacional e que, infelizmente, existe muito desconhecimento de parte do público sobre o trabalho realizado no campo.

A Famato, por exemplo, publicou nesta quarta (11) um comunicado oficial, em conjunto com outras entidades, afirmando que “se não fosse a evolução tecnológica que conquistamos ao longo dos anos, certamente não chegaríamos à produção sustentável que temos hoje, que permite elevar a produção de alimentos na mesma área, sem a necessidade de novas aberturas”.

A federação e as outras entidades representativas fizeram questão de deixar claro que respeitam a licença poética dos carnavalescos, mas esperam "que a criatividade artística não reforce opiniões preconceituosas e errôneas sobre a atividade agropecuária com informações que não correspondem à realidade de quem vive o campo”.

Além das associações de Mato Grosso, federações nacionais também se posicionaram sobre a questão, como foi o caso da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Associação Brasileira dos Produtores de Semente de Soja (Abrass). 

Veja, abaixo, a íntegra das três notas publicadas pelas entidades do agronegócio de MT e do país: 

Nota conjunta

O Brasil já foi reconhecido internacionalmente como o país do futebol e do Carnaval. Hoje a realidade é outra: também somos reconhecidos como grande líder na produção de alimentos de forma sustentável, destacando-nos fortemente frente a outros países no mundo. Conquistamos estas posições graças ao talento, à criatividade e ao trabalho do povo brasileiro.

Por respeitar a manifestação cultural do Carnaval e reconhecer seu poder em divulgar a cultura e a história brasileiras, as entidades que representam a agricultura e pecuária de Mato Grosso e a Aprosoja Brasil vêm a público manifestar sua preocupação na forma com que a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense irá abordar a atividade agropecuária no seu samba-enredo deste ano, cujo tema é Xingu, o Clamor da Floresta.

 Preocupa-nos sobremaneira a forma como a escola contextualizou o samba-enredo e as fantasias abordando negativamente alguns dos aspectos da produção, como a ocupação das terras e a utilização de defensivos.

Se não fosse a evolução tecnológica que conquistamos ao longo dos anos, certamente não chegaríamos à produção sustentável que temos hoje, que permite elevar a produção de alimentos na mesma área, sem a necessidade de novas aberturas.

 Como disse o ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1970, Norman Ernest Borlaug, referindo-se a agricultura mundial: Para aqueles cuja principal preocupação é defender o ambiente’, vamos olhar o impacto que a aplicação da agricultura baseada na ciência teve sobre o uso da terra. Se a produtividade dos cereais de 1950 tivesse permanecido em 1999, teríamos precisado de 1,8 bilhão de hectares adicionais de terra da mesma qualidade, em vez dos 600 milhões que foram usados”.

Respeitamos a licença poética dos carnavalescos, mas esperamos que a criatividade artística não reforce opiniões preconceituosas e errôneas sobre a atividade agropecuária com informações que não correspondem à realidade de quem vive o campo.

 Somos o único país com 61% das espécies nativas resguardadas em terras indígenas, unidades de conservação da biodiversidade, Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Somente 27,7% do território brasileiro é destinado à agropecuária. O Agro brasileiro é obediente a uma das mais severas e rigorosas legislações sociais e ambientais do mundo.

 O Agro também é motivo de orgulho. 

FAMATO – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso

ACRISMAT – Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso

AMPA – Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão

APROSMAT – Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso

APROSOJA – Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso

APROSOJA BRASIL – Associação dos Produtores de Soja do Brasil

 Nota da Acrimat

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT), entidade que representa a pecuária de corte no Estado, repudia a atitude da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, no que diz respeito ao enredo, alas e fantasias do carnaval de 2017 no Rio de Janeiro, que entende como impróprios e irresponsáveis ao tratar o agronegócio como culpado por eventuais mazelas vividas pelos indígenas. Os milhões de brasileiros que atuam na agropecuária sentiram-se atingidos pela ignorância da Imperatriz que, nesses quesitos, denigre a importância do setor produtivo. Os resultados do campo são inquestionáveis e estão presentes todos os dias na mesa, também, dos dirigentes, sambistas, passistas e de todas as alas dessa escola de samba. A Associação crê que não existe outra forma de sintetizar proteínas que não seja pela utilização da terra, da água e do sol, portanto a agropecuária continuará sendo a atividade mais importante para a sobrevivência da humanidade. Em Mato Grosso 61% das áreas são preservadas, conciliando sustentabilidade econômica e ambiental. Garantindo a liderança na produção agrícola e o maior rebanho bovino do Brasil, respeitando as reservas, o espaço e a cultura dos povos indígenas. A Acrimat espera que o Estado brasileiro cumpra suas obrigações constitucionais, defendendo toda sua população, enquanto o agronegócio continuará produzindo proteínas animais e vegetais para que o Brasil perenize a oferta de alimentos em quantidade e qualidade necessária à continuidade da vida.

Marco Túlio Duarte Soares 

Presidente da Acrimat 

NOTA CONJUNTA DE REPÚDIO

A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS), em conjunto com a Associação Goiana dos Produtores de Sementes e Mudas (AGROSEM), a Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do MATOPIBA (APROSEM) e a Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (APROSMAT), repudia veementemente o samba-enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, intitulado “Xingu, o clamor da floresta”, a ser cantado no carnaval deste ano no Rio de Janeiro.

Com alas chamadas “Fazendeiros e Seus Agrotóxicos” e “Pragas e Doenças”, o enredo de 2017 da Imperatriz Leopoldinense vem carregado de desinformação sobre a realidade do agronegócio brasileiro, quando chama-o de “belo monstro” que “rouba as terras dos seus filhos, e acaba com as matas e seca os rios”.

O setor produtivo de semente de soja não pode fechar os olhos para as inverdades que o enredo cita, tendo em vista que o carnaval carioca é uma festa que atrai os olhares do mundo todo. Não se pode defender os índios denegrindo o agronegócio.

É importante ressaltar que o Brasil, entre os principais países produtores agrícolas, é o que mais preserva suas matas nativas. O agronegócio não rouba as terras de seus filhos, pelo contrário, cuida das terras em que produz e garante o alimento de cada dia de toda uma nação.

Aos autores do samba enredo, faltou o conhecimento sobre a importância do agronegócio brasileiro aos olhos do mundo, pois o Brasil, que por muitos anos foi um grande importador de alimentos, hoje é um dos maiores exportadores, campeão mundial de produção de grãos e de proteína animal. Além de apresentar resultados significativos em geração, transferência e adoção de tecnologias e pesquisas.

Apesar da crise econômica que o Brasil vem enfrentando, o agronegócio brasileiro tem assegurado a geração de emprego e renda no País e é responsável por 22% do PIB Nacional. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Valor Bruto da Produção (VBP) da soja, por exemplo, é de R$ 118 bilhões, que representa 32,3% do VBP agrícola. Esse dado representa a evolução do desempenho das lavouras ao longo dos anos e corresponde ao faturamento dentro do abastecimento.

Sobre os agrotóxicos, é importante destacar que, devido ao clima tropical do Brasil, muitas pragas e doenças se desenvolvem. Para garantir a produção e qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor final, é preciso fazer um controle defensivo. Sem esse monitoramento, a produção alimentícia pode cair pela metade, o que resultaria na falta de abastecimento das refeições.

As entidades ABRASS, AGROSEM, APROSEM e APROSMAT, em nome de todos os seus associados, não poderiam deixar de se posicionar diante dessa injustiça a este segmento que tem garantido resultados positivos ao Brasil. 

Marco Alexandre Bronson e Sousa

Presidente da ABRASS 

José Fava Neto

Presidente da AGROSEM 

Laerte Baechtold

Presidente da APROSEM 

Gilberto Flávio Goellner

Presidente da APROSMAT

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Mary Rosa Alves Palmeira 12/01/2017

é esperar pra ver, o desfile da Imperatriz Leopoldinense. não dá pra tirar conclusões precipitadas. Que o tema é ótimo, não dá pra negar.

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Rodolfo 12/01/2017

Aguardando sentado o samba de enredo que irá criticar o jogo do bicho e o trafico de drogas.......

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João catador de lixo com muito orgulho 12/01/2017

Se o Agronegócio reagiu é porque a verdade dói mas tem que ser dita. Esses empresários do agronegócio acham que dinheiro compra tudo. Eles acham que eles devem mandar em prefeituras, governos e em até na presidência da república. Acham que os impostos devem ser reduzidos e com isso outros comerciantes e industriários de outros setores da economia devem pagar o pato sendo sugados com tantos impostos. É hora da sociedade brasileira e sobretudo mato- grossense acordar. Nesse país toda a economia é importante e muitos outros setores da economia geram muito mais empregos do que o agronegócio principalmente pelo fato de não terem tantos maquinários substituindo tanta mão de obra igual os plantadores de soja e algodão. Desmatamento é o que mais tem e senão der uma basta nesses megaempresários do agronegócio, daqui a pouco o país não tem nem a floresta amazônica mais. Ganância por riquezas e ostentação é o que não falta para muitos deles tanto é que querem estar sempre no topo da política para ter seus interesses acima de todos sendo respeitados e que se danem os demais. Eles subestimam demais a sociedade como um todo. Para eles é só o agronegócio que deve estar na primeira fila. O restante da sociedade que fique na periferia. Sou gari catador de lixo. Leio muito. Estou terminando o segundo grau. Sei muito bem quem tem e quem não tem razão nessa história. Aqui no nosso Estado eles querem mandar em tudo e nós temos que ficar quietinhos. É bom que com esse carnaval do Rio de Janeiro o mundo saiba que eles não tem tanta moral assim. Que aqui e lá fora os índios mesmo com os defeitos que eles tem, serão sempre mais bem respeitados do que os mega empresários que acham que dinheiro pode comprar tudo.

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Hélio Augusto Gomes 12/01/2017

Segundo pesquisador, médico sanitarista, professor UFMT, Walderlei Pignatti, abuso agrotóxicos comprometeu Flora e Fauna, leite materno e câncer que vão surgirem nas pessoas nos próximos anos. Essa pesquisa está ganhando projeção internacional. Que tal RDNEWS fizesse entrevista Pignatti, e tirasse dúvida?

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4 comentários

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