Galvan ameniza condenações por danos ambientais em plantio e agradece juiz
Vinícius Bruno
O presidente da Aprosoja, Antônio Galvan, que compartilhou vídeo amenizando a decisão contra ele e outros produtores por plantio irregular de soja
Após ser condenado por danos ambientais devido ao plantio irregular de soja e ter propriedade de sua família multada em R$ 213 mil, o presidente da Aprosoja, Antonio Galvan, decidiu amenizar a decisão do juiz Rodrigo Roberto Curvo, da Vara Especializada do Meio Ambiente.
Galvan vem sofrendo uma série de derrotas na Justiça por insistir no plantio do grão fora do calendário, sob a alegação de que pretende produzir sementes. Os danos ambientais foram estimados em R$ 3 bilhões pelo Ministério Público do Estado e o presidente da Aprosoja considerou que multa recebida, de R$ 1 mil por hectare, daria “segurança” de que o experimento teria o aval da Justiça.
“Falaram de uma multa bilionária que viria a comprometer o setor, a entidade, usaram de toda forma isso. A sentença que saiu hoje veio a trazer muita segurança a todo produtor que essa multa bilionária não existe, nunca existiu e nunca existirá”, disse em vídeo que circulou pelo WhatsApp.
Na decisão de terça (13), o juiz multou Galvan e seu filho, Albino, pelo plantio sem a devida autorização, na fazenda Dacar, em Vera (461 km de Cuiabá). “Quero agradecer ao juiz Rodrigo Curvo, da 1ª instância, que reconheceu muito, mas muito nesta decisão que não existe crime ambiental e fitossanitário. Existiu aí um dano coletivo interpretado por ele e baseado em mil reais por hectare”.
Em outro momento do vídeo, Galvan ainda incentiva os colegas a continuar com a prática e que a decisão teria reforçado suas convicções. “O que tenho para esclarecer a você, produtor rural, ao estado e vocês que estão entre os 14 que têm áreas plantadas, eu só tenho a agradecer porque a pesquisa veio mostrar que só temos a agradecer em relação ao plantio de dezembro e fevereiro”.
Em pleno curso da eleição do sucessor de Galvan na entidade, a postura do presidente após a decisão foi questionada por Ricardo Arioli, pré-candidato na chapa de Marcos da Rosa. Ele considerou, em vídeo, “uma situação vexatória e constrangedora” e acredita que o caso vá refletir na imagem da Aprosoja. Lembra que as multas sobre as 14 áreas somam R$ 3 milhões e alertou os membros da associação que o recurso deve sair da própria Aprosoja.
Danos ambientais e econômicos
Em análise dos grãos coletados, foram identificados riscos para a produção e a ferrugem asiática foi encontrada em onze das 14 áreas de plantio de um teste irregular.
O assunto tem desgastado as relações da Aprosoja com produtores e Galvan foi considerado “negligente” por membros do Conselho Consultivo da entidade. Para ex-presidentes da entidade, “houve, no mínimo, negligência ao desobedecer à legislação”, diz nota que ainda acusa a Diretoria de estar “agindo com suposta ilegalidade e falta de ética na condução do assunto denominado: Calendarização do Plantio de Soja em Mato Grosso".
O Sindicato Rural de Tangará da Serra também se manifestou contra as medidas de Galvão e decidiu não assinar a “Carta Aberta de apoio irrestrito às ações da Aprosoja”. Isso porque, segundo o estudo elaborado pelo setor jurídico dos produtores locais, os riscos ambientais e prejuízos econômicos podem sair do bolso dos associados.