Cuiabá, 21/09/2026

Gás de cozinha chegará a R$ 110 em Cuiabá após novo reajuste da Petrobrás

Com reajuste, que pode variar entre 4,6% e 4,9%, a partir desta terça (27) nas distribuidoras, o gás de cozinha vendido ao consumidor final pode aumentar até 10% na próxima semana, ao custo de R$ 110/13kg na grande Cuiabá, cujo preço máximo praticado entre 18 e 24 deste mês foi de R$ 100/13kg, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

 Reajuste do gás de cozinha varia de 4,6% a 4,9% nas distribuidoras; 10% para consumidores

O reajuste anunciado pela Petrobrás na tarde desta segunda (26) afetará principalmente o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) empresarial, mas, de acordo com o presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás GLP do Centro-Oeste em Mato Grosso (Sinergás-MT), Alan Rener Tavares, o reajuste afetará indústrias, comércios, agronegócio e consumidores finais.

“Ainda não se sabe se as distribuidoras vão assimilar esse reajuste ou se vão repassar no custo do GLP, já que há uma semana houve um aumento que variou entre R$ 1,10 e R$ 1,80 pelo Kg de gás vendido no Estado. Este aumento foi feito por iniciativa das distribuidoras com a justificativa de que aumentou o custo de produção e distribuição do produto”, explica Alan.

Ainda de acordo com o presidente do Sinergás-MT, o reajuste será prejudicial para o consumidor final e para toda a cadeia de produção de GLP. “Toda vez que acontece aumento no preço do gás, diminui-se o consumo. Isto porque os consumidores passam a economizar mais o produto”.

GLP Empresarial

O GLP empresarial é comercializado em três tipos de embalagens, o P20, de 20kg, que é utilizado em máquinas empilhadeiras na indústria e no comércio, cujo preço médio hoje no Estado é de R$ 140; o P45, com 45kg, mais utilizada em restaurantes e condomínios, e cujo preço médio é de R$ 320 e a granel entre 9 mil e 15 mil/kg, utilizada nas agroindústrias, silos e indústrias, ao custo médio de R$ 7,50/kg, ou seja podendo variar entre R$ 67,5 mil e R$ 112,5 mil, de acordo com a carga.

Em 2017, foi comercializado de 9,75 mil de toneladas de GLP P13 em Mato Grosso, enquanto que de GLP empresarial foi comercializado 2,925 mil toneladas, representando 30% do total comercializado de P13.

Aumento

Para Alan Tavares, o reajuste do gás é negativo neste momento econômico, no qual o país tenta se recuperar da crise econômica que assolou o país nos últimos três anos. “O gás é um insumo básico doméstico. Essa instabilidade no preço afeta a confiança do consumidor, que é um indicador preponderante para que volte a existir fluidez na economia”, pontua.

Essa instabilidade no preço afeta a confiança do consumidor, que é um indicador preponderante para que volte a existir fluidez na economia - diz Alan

Por sua vez, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), em nota, avaliou que o aumento afetará, de forma crucial, empresas que operam com uso intensivo de GLP.
“Com o aumento, o ágio praticado pela Petrobras subiu para 50,3% em relação ao preço praticado no mercado internacional. Na avaliação do Sindigás, esse ágio vem pressionando ainda mais os custos de negócios que têm o GLP entre seus principais insumos, impactando de forma crucial empresas que operam com uso intensivo de GLP”, ponderou a nota.

De acordo com o Sindigás, a prática de preços da Petrobras para o segmento empresarial de GLP é incompreensível, já que não tem acompanhado as flutuações do mercado internacional, que apresentou queda de 7,9% em janeiro e 8,2% em fevereiro, sendo que em março já acumula queda de 6,6%.

“Já o preço da Petrobrás para o segmento empresarial registrou queda menor do que a do mercado internacional em janeiro e fevereiro, de 6,3% e 4,6%, respectivamente”, pontuou a nota.

Mato Grosso

Com os fatores de logística e distância, Mato Grosso vendia em dezembro de 2017, o gás de cozinha mais caro do país, ao custo de R$ 96,47/13kg, na média estadual.

Um dos fatores que implicam no custo do gás no Estado é a distância de 1,4 mil km entre Cuiabá e o centro distribuidor, que fica em Paulínia (SP), sendo o principal fator que encarece o frete.

Quanto a isso, cidades do interior chegam a possuir o gás mais caro do país, como é o caso de Alta Floresta (a 795 km de Cuiabá), e o preço máximo do P13 na última semana de referência da ANP, era de R$ 110, valor que pode chegar a R$ 120 na próxima semana, quando os impactos do reajuste da Petrobrás devem chegar ao consumidor final.

Quanto a esta forma de reajuste as instituições que representam a cadeia produtiva do GLP já haviam se manifestado de forma contrária, no ano passado, quando a Petrobrás passou a adotar o reajuste de acordo com o mercado internacional, e que resultou só em 2017, aumento de 62% no preço para as engarrafadoras, e 12% de aumento no custo ao consumidor final, situação que vem causando dificuldade para o setor.