Rotação e cobertura do solo ajudam no controle de plantas daninhas
Estudos da Aprosoja MT destacam a integração de práticas agrícolas para reduzir infestações e preservar a eficiência dos produtos
O controle de plantas daninhas começa antes de elas aparecerem na lavoura e deve continuar após a colheita. Estudos dos Centros de Pesquisa (CTECNO) da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) destacam a importância de integrar práticas agrícolas e planejar o manejo considerando também as próximas safras.
Divulgação/Assessoria
A estratégia deve levar em conta o histórico da área, as espécies presentes, o banco de sementes no solo e as culturas que serão implantadas. Nesse sistema, os herbicidas continuam sendo ferramentas importantes, mas dividem espaço com práticas como rotação de culturas, uso de braquiária e manutenção da cobertura do solo.
A integração dessas medidas ajuda a manter a área ocupada por mais tempo, reduzindo o espaço e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das plantas daninhas. O objetivo é proteger a produtividade da cultura atual e deixar a lavoura em melhores condições para o próximo ciclo.
Antes de definir o controle, o produtor precisa identificar as espécies presentes, a intensidade e a distribuição da infestação e o estágio de desenvolvimento das plantas. O diagnóstico também deve considerar as culturas anteriores, os herbicidas utilizados e a resposta aos tratamentos, além das condições do solo, da cobertura existente e da disponibilidade de água.
A sobrevivência de plantas após uma aplicação, por exemplo, não significa necessariamente resistência ao herbicida. A falha pode estar relacionada à dose, ao momento da aplicação, ao estágio da planta, às condições ambientais, à qualidade da água ou à cobertura da pulverização. Esses fatores precisam ser avaliados antes de atribuir o problema à resistência.
Outro cuidado é impedir que as plantas sobreviventes produzam sementes. Uma lavoura de soja que encerra o ciclo com plantas daninhas em reprodução pode ampliar a infestação no milho e na braquiária cultivados na sequência. O mesmo ocorre quando essas plantas permanecem na área após a colheita e continuam alimentando o banco de sementes do solo.
A rotação de culturas e as plantas de cobertura ajudam a reduzir as oportunidades de estabelecimento das invasoras, mas não dispensam o monitoramento. Diferentes sistemas produtivos podem favorecer espécies distintas e mudar o perfil da infestação.
O acompanhamento também precisa continuar após o controle químico. É necessário verificar quais espécies permaneceram na área, se surgiram novas plantas, se houve produção de sementes e como ficou a cobertura do solo.
Mesmo um tratamento com alto percentual de controle logo após a aplicação pode ser insuficiente no longo prazo, caso as plantas sobreviventes produzam sementes. Além disso, o uso repetido de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação aumenta a pressão de seleção e pode favorecer a resistência.
Reduzir a população de plantas daninhas com cobertura do solo, competição das culturas, rotação e prevenção da produção de sementes também ajuda a preservar a eficiência dos produtos.
A execução das operações no campo é outro fator decisivo. Dessecação, regulagem dos equipamentos, semeadura, distribuição das sementes e tecnologia de aplicação influenciam o resultado. Por isso, a capacitação de operadores, técnicos e produtores faz parte da estratégia.
Com planejamento e acompanhamento ao longo das safras, o manejo deixa de se limitar à eliminação das plantas presentes na lavoura. Cada ciclo passa a ser uma oportunidade de reduzir a infestação e o banco de sementes, tornando a área menos favorável ao desenvolvimento de plantas daninhas.(Com assessoria)