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MERCADO FÉRTIL

Setor de bioenergia injeta R$ 500 milhões em salários na indústria de MT

Mais de 151 mil postos de trabalho – diretos, indiretos e induzidos – estão ligados às indústrias que processam cana-de-açúcar e milho em Mato Grosso

Da Redação

No ano de 2025, a indústria de bioenergia movimentou mais de meio bilhão de reais em pagamento de salários, o equivalente a 9% de todos os salários pagos pela indústria de Mato Grosso. Atualmente, o estado tem 19 usinas em operação, distribuídas em 17 municípios. Juntas, são responsáveis pela fabricação de 7,3 bilhões de litros de etanol na safra 2025/26, produzidos a partir da moagem da cana-de-açúcar e do milho. Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Observatório de Mato Grosso, ligado ao Sistema Fiemt, em parceria com o Bioind-MT, sindicato que representa indústrias de bioenergia do estado.

Da Assessoria

Empresas de etanol e açúcar em MT

De acordo com a análise, desde 2017, com a entrada operacional da primeira usina dedicada à produção de etanol de milho, o setor realizou R$ 27 bilhões em investimentos no estado. Além disso, outras três unidades estão em construção e duas passam por ampliações, com investimentos de aproximadamente R$ 6,8 bilhões em andamento.

Na análise de empregos, o levantamento mostra que, entre 2019 e 2025, o número de postos de trabalho formais na produção de biocombustíveis e açúcar cresceu 87% em Mato Grosso, enquanto o conjunto dos demais segmentos industriais registrou avanço de 34% no mesmo período.

Em 2025, 10.760 trabalhadores estavam formalmente empregados nas unidades industriais, o que correspondia a 5,3% de todos os postos formais da indústria estadual. Os dados ganham ainda mais alcance quando considerados os efeitos indiretos e induzidos da atividade sobre outros segmentos da economia. A geração estimada é de mais de 151 mil empregos relacionados à atividade de bioenergia em Mato Grosso.

“O avanço da bioenergia acompanha o crescimento de Mato Grosso e amplia a capacidade de desenvolvimento de diferentes regiões do estado. Hoje, a presença de usinas que processam cana-de-açúcar e milho, distribuídas pelo estado, fortalece as economias locais, gera empregos, movimenta cadeias de fornecedores e agrega valor à produção. Essa capilaridade industrial, próxima das áreas produtoras, é um diferencial importante para Mato Grosso e contribui para consolidar a relevância do estado na produção de energia renovável”, destaca José Fernando Mazuca Filho, presidente do Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT).

Municípios que vivenciam os benefícios da expansão industrial no setor

Em Alto Taquari, município com aproximadamente 8 mil habitantes, conforme mapeamento do Censo de 2022, por exemplo, 90% dos empregos industriais formais estão ligados à fabricação de etanol e açúcar. Outro exemplo é o município de Nova Olímpia, onde essa participação chega a 85% e cerca de três mil pessoas trabalham diretamente no setor de bioenergia.

Da Assessoria

Empresas de etanol e açúcar em MT

Além das vagas existentes dentro das indústrias, a cadeia da bioenergia movimenta uma extensa rede de atividades econômicas. É o que detalha Flávio Anderson Breitenbach, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Tapurah. Desde outubro de 2025, uma usina produtora de etanol de milho opera no município.

“A instalação da indústria foi algo muito positivo para o comércio da cidade, movimentou setores como aluguéis, mercados e serviços. São setores que tiveram um incremento nas vendas de cerca de trinta por cento.”

Apesar do crescimento do setor nos últimos anos, de acordo com José Fernando Mazuca Filho, presidente do Bioind-MT, as indústrias trabalham com cautela.

“O setor passa por um período bastante desafiador, com margens muito apertadas e, em alguns momentos, até negativas. Temos um cenário internacional complexo, marcado por conflitos e volatilidade no preço das commodities, além de juros elevados no Brasil e preços que não acompanharam na mesma proporção os custos. Ainda assim, a indústria continua se estruturando, investindo e buscando competitividade. Os números de emprego, renda e investimentos mostram justamente essa capacidade de reação. O momento ainda exige cautela, mas somos otimistas”, afirma Mazuca.

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