Galvan é contra penas mais duras para feminicidas: Morte de mulher não é diferente da morte de homem veja
Candidato ao Senado defende que homens e mulheres tenham a mesma pena em casos de homicídio e afirma que endurecimento da legislação não combate a causa da violência
Candidato ao Senado, o ex-presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan (Avante), é contra a imposição de penas diferenciadas para autores de feminicídios. O produtor rural afirma ser contrário a “cotas” em todos os setores e entende que não deve haver diferenciação entre homicídios contra homens e mulheres.
“A morte de uma mulher não é diferente da morte de um homem. Nós somos seres humanos. Toda lei que você prevalece um lado, ela não funciona e nunca funcionou e não vai funcionar”, afirma Galvan, durante entrevista à imprensa.
Atualmente, a legislação brasileira prevê penas de até 40 anos para autores de feminicídios, e Mato Grosso está entre os estados com maior número de casos no país. Ao todo, neste ano, já foram registrados 31 casos, sendo quatro apenas neste mês.
“O que está acontecendo, na realidade, hoje, é que estão atacando o problema, mas não a causa. Onde está a causa? Alguém foi ao lar dessa família para saber como é que eles estavam vivendo? E quando chega nesse ponto, eu não concordo com morte de ninguém. Não existe como você concordar com A ou com B que seja morto, seja mulher ou seja homem, seja quem for. O sexo não quer dizer que você tenha que concordar com a morte de A ou de B. Agora, o que está se falando aí, está se dizendo do problema. Você já viu um trabalho feito por quem está dentro da política para atacar a causa do problema? Eu não vi nenhuma”, dispara, reclamando da falta de ações para prevenir as causas.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Nessa linha de raciocínio, Galvan ressalta que o endurecimento das penas não tem surtido efeito, tanto que, segundo ele, o número de casos segue aumentando.
“Você pode botar cem anos de pena para o cara, pode botar pena de prisão perpétua, que, quando existe uma provocação pelo sistema, pela causa, acaba acontecendo [a morte]. Então, o que tem que trabalhar é na causa do problema e não falar depois que o problema aconteceu. Não concordo em diferenciar a sociedade nem em sexo, nem em nada”, afirma.
Galvan finaliza ponderando que defende, por exemplo, que todos os homicídios tenham pena de 40 anos.
Questionado sobre as causas da violência, ele diz não saber exatamente o motivo, mas ressalta que os problemas financeiros enfrentados pelas famílias e a desestruturação do lar são, seguramente, fatores que interferem.
“Um dos graves problemas é essa situação econômica que hoje vive o país. A família está desestruturada, não tem mais condições financeiras de poder manter os filhos, pagar as despesas de casa, e começa a virar uma guerra dentro de casa”, diz.
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— RDNews (@_rdnews) August 19, 2026
Ainda sobre o tema, Galvan ressalta que se trata de um problema amplo e afirma que mulheres também matam homens, sem, segundo ele, haver a mesma ênfase sobre esse problema social.
“Imagina pagar as contas que são fixas de água, telefone, energia e assim por diante. Esse é um dos fatos hoje, que, para mim, está acontecendo, e essa briga interna do lar, que acaba virando em morte. Só que tem morte dos dois lados”, afirma.
Por fim, ele reconhece que as mulheres, fisicamente, são mais vulneráveis, mas volta a cobrar equidade nas penas.
“A mesma penalidade tem que existir para a mulher que matar um homem, por conta de crime passional, como se fala, como para o homem que mata a mulher. Não vejo diferenciação de pena e não pode existir diferenciação de pena”, finaliza.