Mauro e Janaina são favoritos, mas disputa segue em aberto em Mato Grosso
Avaliação foi feita pela cientista política Christiany Fonseca, que destaca que segundo voto pode mudar a disputa
A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado já tem, hoje, dois favoritos, mas está longe de estar definida. Esta é a avaliação da cientista política Christiany Fonseca, que aponta o ex-governador Mauro Mendes (União) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB) como os nomes de maior viabilidade eleitoral no momento.
Segundo ela, a convergência dos levantamentos realizados por diferentes institutos colocou Mauro e Janaina em um primeiro pelotão, com distância em relação aos demais candidatos. Ainda assim, Christiany alerta que o favoritismo atual não representa garantia de vitória. “Favoritismo é uma condição do presente, vitória é uma condição que só a urna confirma”, resume.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Na avaliação da cientista política, os dois aparecem como os nomes mais competitivos a partir da análise das pesquisas realizadas até agora, entre elas levantamentos da Real Time Big Data e da Quaest. “Hoje, Mauro e Janaina formam o primeiro pelotão e são os nomes com maior probabilidade eleitoral. [Carlos] Fávaro [do PSD], [José] Medeiros [do PL] e Pedro Taques [do PSB] formam o segundo pelotão competitivo, mas ainda precisam vencer uma distância significativa”, avalia.
Para Christiany, porém, uma eventual mudança no cenário exigirá mais do que um crescimento pontual nas pesquisas. “Será preciso algum movimento político capaz de reorganizar essa atual distribuição das preferências e das forças”, afirma.
O segundo voto
A cientista política chama atenção para uma particularidade da eleição deste ano: cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado. E é justamente o chamado segundo voto que pode tornar a disputa mais imprevisível.
Segundo ela, o eleitor pode ter uma preferência consolidada para uma das vagas e ainda não ter decidido quem será sua segunda escolha. Além disso, a disputa tem mostrado que não há uma transferência automática de votos entre candidatos que integram o mesmo campo político ou chapa. “Não basta saber quem lidera a primeira preferência. É necessário saber quem consegue ser a segunda escolha de diferentes eleitorados”, explica.
Reprodução
A fala de transferência de votos pode ser constatada em todas as chapas ao Senado. Mauro, que lidera a maior parte dos levantamentos, não conseguiu transferir votos para sua parceira de chapa, a suplente de senadora Margareth Buzetti (PP). Enquanto isso, Janaina e Medeiros travam uma batalha em que até mesmo a Justiça Eleitoral foi acionada. Do mesmo modo, Fávaro e Taques, rompidos politicamente em 2018, possuem uma relação amistosa, mas distante.
Para Christiany, essa dinâmica modifica até mesmo o conceito tradicional de favoritismo. Um candidato que não aparece na liderança como primeira opção pode se tornar competitivo caso tenha baixa rejeição e consiga atrair eleitores que já possuem outro nome como preferência principal. “Em uma eleição de duas vagas, tão importante quanto possuir um eleitorado próprio, muito fiel, é possuir aceitabilidade transversal”.
Pesquisas eleitorais
A cientista política avalia ainda que o segundo voto também representa um desafio maior para a interpretação das pesquisas eleitorais. Isso não significa, segundo ela, que os levantamentos sejam menos confiáveis, mas que parte importante do eleitorado ainda pode estar formando sua segunda preferência.
“Um eleitor pode ter absoluta convicção sobre um candidato e ainda não ter decidido o segundo. A pesquisa consegue medir corretamente o que ele pensa naquele momento, mas uma parcela importante desse segundo voto pode ainda estar em processo de construção”, explica.
Polarização
Christiany também observa que, embora Mato Grosso tenha apresentado predominância eleitoral de candidatos da direita e da centro-direita nos últimos ciclos, a ideologia, isoladamente, não explica a atual disputa pelo Senado.
Mauro, segundo ela, reúne forte inserção no eleitorado de direita, mas carrega também o recall construído após dois mandatos como governador. Já Janaina possui capacidade de dialogar com segmentos que vão além de seu campo político tradicional, especialmente pela atuação em pautas como defesa dos servidores públicos e direitos das mulheres.
Para a cientista política, a eleição ao Senado em Mato Grosso possui, neste momento, uma dinâmica própria, em que fatores como reconhecimento do nome, trajetória política, capilaridade e capacidade de dialogar com diferentes eleitorados podem pesar tanto quanto a identificação ideológica.
A polarização nacional, segundo ela, influencia o ambiente eleitoral, mas não explica sozinha a distribuição das intenções de voto.
Por enquanto, Mauro e Janaina largam à frente. Mas, em uma eleição com duas vagas, segundo voto ainda em formação e combinações eleitorais pouco previsíveis, a disputa pelo Senado segue aberta.