Cuiabá, 30/10/2026

Cuiabá perde a identidade e paga o preço: sete falhas que marcaram 2025

Em análise contundente, Jenisson Bartniski aponta que o Dourado precisa reconstruir sua conexão com o torcedor e recuperar a ambição

A temporada de 2025 do Cuiabá terminou longe das expectativas de torcedores e dirigentes. Rebaixado da Série A no ano anterior, o Dourado iniciou a Série B com o discurso de reconstrução e retorno imediato à elite do futebol brasileiro. No entanto, a realidade foi outra.

Um time sem identidade, irregular e incapaz de transformar potencial em resultados concretos, foi o que o torcedor auriverde pode conferir durante o ano de 2025.

Em entrevista especial ao #rdnews, o radialista e pesquisador Jenisson Bartniski destacou sete “pecados capitais” que, em sua visão, explicam o desempenho abaixo do esperado do clube mato-grossense.

AssCom Dourado

1 - (In)definição no comando técnico

Segundo Bartniski, a instabilidade começou ainda no banco de reservas. O Cuiabá iniciou a competição sob o comando de Guto Ferreira, demitido na 21ª rodada após a derrota para o Avaí. A escolha pelo auxiliar Eduardo Barros para os jogos restantes não surtiu efeito.

“A troca expôs a ausência de um projeto técnico consistente. O time nunca teve uma ideia clara de jogo”, avalia o pesquisador.

2 -Falta de um grande goleiro

A saída de Walter, ídolo e referência técnica, foi um golpe duro. Nenhum dos substitutos conseguiu manter o mesmo nível. “Toda grande equipe começa com um grande goleiro. O Cuiabá perdeu essa segurança e pagou caro por isso”, observou Bartniski.

AssCom Dourado

3 - Baixa adesão da torcida

Após o rebaixamento, o clube viu o número de sócios despencar cerca de 95%, o que deixou a Arena Pantanal frequentemente vazia.

“O distanciamento da torcida não é apenas um problema financeiro. Ele afeta diretamente o ânimo do time e o clima dentro de campo”, destacou o radialista.

AssCom Dourado

4 - Visitante fragilizado

Com apenas duas vitórias fora de casa, o Dourado mostrou grande dificuldade em atuar longe de Cuiabá.

“Um time que quer subir precisa ser competitivo em qualquer campo. O Cuiabá foi previsível e vulnerável como visitante”, pontuou.

5 - A lesão de Alan Empereur

Capitão e pilar defensivo, o zagueiro Alan Empereur se lesionou na 29ª rodada, contra o Athletic Club. Sua ausência foi sentida: em sete partidas sem ele, o time só não sofreu gols em uma.

“A defesa perdeu seu líder e o sistema se desorganizou completamente”, analisou Bartniski.

AssCom Dourado

6 - Pontos desperdiçados

Empates sofridos nos acréscimos contra Atlético-GO, Paysandu e Botafogo-SP simbolizam a falta de concentração nos momentos decisivos.

“Esses pontos perdidos poderiam ter mantido o time vivo na disputa pelo acesso”, lamentou o pesquisador.

7 -  Elenco limitado

Por fim, o radialista apontou falhas na montagem do elenco, especialmente na criação de jogadas e na ausência de um armador decisivo.

“Faltou um camisa 10, alguém capaz de mudar o jogo. O time era previsível e sem alternativas”, resumiu.

AssCom Dourado

Reflexão e futuro

Mesmo com a frustração, Bartniski evita o discurso de “terra arrasada”. Para ele, o desafio agora é planejar 2026 com lucidez, fortalecendo o elenco e reconectando o torcedor à Arena Pantanal.

“O Cuiabá tem gestão financeira equilibrada, o que é um ativo importante. Mas precisa ser mais ambicioso e ousar na formação do grupo”, concluiu.

Como ficou?

O Cuiabá encerrou sua participação na Série B com vitória por 1 a 0 sobre o Criciúma na tarde deste domingo (23), na Arena Pantanal. David Miguel marcou no segundo tempo e garantiu a vitória sobre a equipe catarinense.

Com o resultado, o Dourado terminou a Série B na 10ª colocação, com 54 pontos ganhos. Por outro lado, a derrota, combinada com o restante da rodada, impediu o retorno do clube de Santa Catarina à elite do futebol brasileiro. O Criciúma ficou na 5ª posição, com 61 pontos.