Cuiabá, 27/09/2026

Cuiabano que comanda Exército disse a Dino que não iria prender golpistas

Autoridades do governo federal  ouvidas pelo jornal norte-americano avaliam que a postura do general Júlio César de Arruda permitiu que golpistas fossem alertados e escapassem

Reprodução

 

O Exército, sob o comando do general cuiabano Júlio César de Arruda,  não teria permitido  que a polícia prendesse golpistas que estavam em frente ao quartel-general após a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes,  no dia 8 de janeiro, em Brasília. As informações são do jornal norte-americano  The Washington Post.

A reportagem publicada nesse domingo (15) afirma que os próprios militares posicionaram tanques e três linhas de soldados no local. Dessa forma, protegeram os golpistas da ação policial.

"Você não vai prender pessoas aqui", teria dito  o general Júlio César de Arruda, ao ministro da Justiça Flávio Dino,  Segundo o The Washington Post, a informação sobre a fala do comandante do Exército está baseada no   relato de duas pessoas que estavam presentes quando o diálogo aconteceu.  

Autoridades do governo federal  ouvidas pelo jornal norte-americano avaliam que a postura do general Júlio César de Arruda permitiu que golpistas fossem alertados e escapassem. O  acampamento em frente ao QG de Brasília foi desmontado na manhã seguinte aos ataques, na segunda  (09).

No dia 08,  apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), que  não aceitam a vitória eleitoral de Lula (PT),  invadiram e depredaram o Congresso Nacional,   Supremo Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto.

Como consequência, o STF  determinou a prisão em flagrante de todos os manifestantes na Praça dos Três Poderes e no acampamento em frente ao QG do Exército. Hoje, mais de   1,3 mil  pessoas continuam presas.

A PF ainda estuda celulares e material genético deixados na cena do crime para identificar e colher provas contra os invasores. A investigação segue em andamento.  

A equipe do jornal norte-americano também conversou também com pessoas que receberam mensagens pelo Whatsapp e pelo Telegram sobre os atos golpistas. Eles afirmam que havia comentários e até orientação sobre a invasão prédios públicos.

Em nota,   o Exército disse que houve uma reunião com os ministros José Múcio (Defesa), Flávio Dino e Rui Costa (Casa Civil) e o comandante do Exército. O encontro aconteceu  no Comando Militar do Planalto, ainda no dia 08, após os ataques. Sem detalhar a conversa entre o ministro da Justiça e o general Júlio César de Arruda, a nota declara que:  "Ao final da reunião todos os presentes concordaram com as ações a serem adotadas".