Diretor de hospital chora ao relatar problemas; secretaria diz resolver
Reprodução
Diretor do Hospital Regional de Sorriso médico Roberto Satoshi chora em relato
O estoque de alimentação do Hospital Regional de Sorriso deve acabar nesta quarta (24), o gás provavelmente termina na próxima quinta (25), no entanto, um dos problemas mais temidos é o término do gás medicinal, com previsão de durar no máximo até sexta (26). Essas informações foram repassadas pelo diretor-técnico da unidade, o médico Roberto Satoshi.
“O caos chegou! Vamos servir o que? Água com barro? Se não vai ter comida também não precisamos de gás! Os pacientes que estão na UTI, no respirador, pacientes que vão para o centro cirúrgico e que vão precisar de oxigênio. O que vamos fazer?”, são as dúvidas que o diretor possui em relação à falta de pagamento pelo Governo do Estado, das dívidas com fornecedores da unidade.
A alternativa emergencial que a diretoria adotou é a transferência a partir desta terça (23), dos pacientes para unidades de outros municípios. “Pelo menos colocar em um sistema de regulação para assegurar esses pacientes, por que se acabar esse gás vai começar a morrer gente. São vidas que (...) difícil, não tenho nem o que falar”, relata Satoshi chorando ao lembrar dos problemas do hospital.
Ainda com lágrimas nos olhos, o médico afirma que em seus 30 anos de profissão nunca imaginou enfrentar ou passar por uma situação parecida. “Depois de 30 anos de formado, uma situação como essa (...), eu não concordo com isso”, assevera.
Satoshi pede que o governo autorize a contratação de funcionários, que não permita a falta de medicamentos e alimentação. “Os R$ 9 milhões que eles falam que pagaram, pagaram o que deviam do ano passado. Esquece os R$ 9 milhões, vamos partir do que eles devem de agora para frente”, diz.
Como noticiado pelo #rdnews na última quinta (18), o hospital corre o risco de fechar totalmente as portas em 30 dias. A empresa de lavanderia também anunciou a suspensão das atividades, visto que apenas atendimentos de urgência e emergência são efetuados devido ao racionamento de medicamentos por exemplo, além da suspensão de novas internações e paralisação dos atendimentos nas UTI’s.
Outro lado
Conforme a secretaria de Estado de Saúde (SES) foi liberado nesta segunda(22) o valor de R$ 54 mil para o pagamento de um fornecedor de alimentos para o Hospital Regional de Sorriso. Segundo a SES, a nota fiscal foi emitida em março deste ano, mas a direção do hospital enviou a nota para o financeiro da secretaria neste mês. Uma nota fiscal de outro fornecedor de R$ 13,4 mil enviada este mês, também referente a março, está pendente porque faltou uma certidão, que é providenciada pela direção para que o valor seja pago.
Em relação à lavanderia, houve um acordo para que os serviços sejam mantidos, já que até sexta, parte do valor pendente deve ser quitado. A SES também repassou que realiza levantamentos dos pagamentos feitos a fornecedores no período de janeiro e fevereiro mediante bloqueio judicial de R$ 3 milhões para que não haja pagamento em duplicidade, já que a quitação dos débitos é feita diretamente pela direção do hospital.