Cuiabá, 20/09/2026

Em ano eleitoral, Mauro reage à instalação de CPI da Saúde na AL: Muito estranho

Governador diz que não há “fato novo” e aponta que casos já foram investigados pela Polícia e pelo MP e critica “ruídos desnecessários”

Reprodução de Vídeo

O governador Mauro Mendes classificou como no mínimo “estranha” a instalação, em ano eleitoral, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar contratos da Secretaria de Estado de Saúde (SES) que foram alvos de operação da polícia em 2023 e afirmou que o movimento sugere motivação política.

Mendes reconheceu que o Parlamento tem respaldo legal e o dever de instaurar CPIs diante de indícios de irregularidades. No entanto, afirmou que causa estranhamento o fato de os episódios já terem sido investigados pela Polícia Civil, no âmbito da Operação Espelho, e pelo Ministério Público, que chegou a oferecer denúncia. Os inquéritos e o processo, porém, foram suspensos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em 2024.

“Não existe contemporaneidade neste pedido, e fatos que já foram investigados pelo Ministério Público, pela Polícia, que já foram concluídos e os responsáveis já foram denunciados. Não tem nenhum fato novo, me pareceu muito estranha essa atitude feita nesse momento”, disse Mauro Mendes em entrevista rápida durante o lançamento da obra de construção da Escola Estadual Professora Maria Hermínia Alves, no CPA 4, em Cuiabá. 

O requerimento da CPI foi apresentado pelo deputado Wilson Santos (PSD) ainda em 2023, mas à época não avançou por falta do número mínimo de assinaturas — eram necessárias oito, e o parlamentar havia obtido apenas sete. No fim de janeiro de 2026, ele conseguiu a oitava adesão, o que viabilizou a instalação da comissão.

Após a formalização da CPI, deputados que tiveram os nomes incluídos na composição apresentaram requerimento à presidência da Assembleia pedindo a retirada de suas assinaturas. Eles alegam que não foram consultados por Wilson Santos no momento da reapresentação do pedido neste ano.

“Eu fiquei sabendo que tem alguns deputados que já entraram com o expediente na Assembleia Legislativa, pedindo a exclusão porque não existe contemporaneidade neste pedido”, complementou o governador.

Mauro Mendes também afirmou que o surgimento de episódios como esse é comum em ano eleitoral, mas defendeu responsabilidade no exercício do mandato parlamentar.

“É natural que em ano eleitoral surjam muitas questões com vários objetivos. Tem deputados que estão num partido que pode estar aliado com o Partido B, com o Partido C, e o que eu acho lamentável é que haja uma confusão desses papéis. Todo mundo tem o direito de ser candidato, mas todos nós temos o dever de ser leal com o exercício do cargo que nós temos agindo corretamente e não criando barulhos ou ruídos desnecessários, ou seja, por qualquer pretexto ou objetivo que for”, posicionou.

Operação Espelho

Deflagrada em 2023, a Operação Espelho investigou suspeitas de fraude e direcionamento de contratos da saúde estadual durante a pandemia de Covid-19, em Mato Grosso. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), empresários teriam contado com apoio de servidores da área para viabilizar as irregularidades. Ao todo, 21 pessoas foram denunciadas.

Em setembro de 2024, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) suspendeu a ação penal e os inquéritos ao reconhecer que os contratos investigados envolviam recursos federais, o que deslocaria a competência para a Justiça Federal.

À época, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) afirmou que os contratos seguiram os trâmites legais e foram fiscalizados pelos órgãos de controle, inclusive pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).