Governador sugere intervenção total em Cuiabá; secretário vê viés político
Mauro Mendes fez duras críticas à Prefeitura de Cuiabá. Júnior Leite rechaça e rebate argumentos
Annie Souza
Governador Mauro Mendes voltou a fazer duras críticas à gestão municipal. Secretário Júnior Leite rebate e diz que Mauro está focado nas eleições
O governador Mauro Mendes (União Brasil) nega que o Estado tenha intenção de assumir a administração do Hospital Municipal de Cuiabá e do São Benedito, mas sugeriu uma “intervenção total” na Prefeitura de Cuiabá, para que o Executivo municipal passe a ser gerido pelo Executivo estadual.
“Estadualizar o Hospital Municipal de Cuiabá e o São Benedito está fora de questão. Agora, se eles [Prefeitura de Cuiabá] quiserem uma intervenção na prefeitura para tirar essa conversa de vez, eu topo! [...] foi feita uma intervenção. Quatro meses depois a Saúde piorou violentamente. O que fazer? Deixar a população sofrer ou tomar uma decisão mais drástica? Uma intervenção na própria prefeitura, já que se mostra ineficiente e incapaz de gerir a Saúde”, afirmou”, disse Mauro à imprensa na quinta-feira (25).
A possibilidade de estadualização das unidades foi proposta pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Sérgio Ricardo, que alega que a medida garantirá o melhor direcionamento de recursos para a Saúde, que acumula passivos financeiros.
“A Prefeitura de Cuiabá não tem condições de tocar o HMC e o Hospital São Benedito do jeito que tem que ser feito. Hoje, a demanda é muito maior do que a capacidade que a estrutura tem de atender. É uma questão urgente”, disse o presidente na ocasião.
Após as declarações de Mauro, o secretário de Governo da prefeitura, Júnior Leite, rechaçou a possibilidade e afirmou que o gestor estaria apenas focado na disputa política deste ano, ao propor uma intervenção total no Palácio Alencastro.
Para o secretário, o essencial é trabalhar para garantir que os usuários do Sistema Único de Saúde tenham o direito constitucional garantido à assistência à saúde.
“Chega a ser aviltante que o governador faça uma declaração assim. A verdade é que a Saúde de Cuiabá vem carregando nas costas uma tarefa que exige ações conjuntas. Não há que se falar em melhorias na saúde com a intervenção. Observem os números. O déficit aumentou, o Estado deixou de cumprir 111 metas da decisão judicial que a criou e, para tampar o sol com a peneira, criou um TAC que eles jamais cumpririam e colocaram sob a nossa responsabilidade, assim como colocaram toda a saúde do Estado”, disparou.
Atualmente, o Hospital São Benedito e o Hospital Municipal de Cuiabá realizam procedimentos de alta complexidade que constitucionalmente são de obrigação do estado. Mesmo atendendo mais de 40% de pacientes do interior, o HMC não recebe recursos estaduais.
"A gestão Emanuel Pinheiro ampliou de 10 para 88 equipes de Saúde Bucal, ampliou de 75 para 190 equipes de Saúde da Família, entregou e tornou lei no município o fornecimento do kit escolar e kit uniforme, medida tão eficaz que a estratégia foi ampliada ao estado, construiu dois viadutos, Murilo Domingos e na avenida das Torres. Isso sem contar a implantação do Cuiabanco, que se dedica a estimular o potencial dos empreendedores de pequenas empresas, através de uma linha de crédito com política de juros zero que até o momento auxiliou 250 pessoas, com R$ 1,2 milhão em empréstimos. O que importa é fazer. A gestão do prefeito Emanuel Pinheiro já fez e vai continuar fazendo”, finalizou o secretário.