Governo Lula oficializa demissão de Neri Geller após anulação do leilão de arroz
Neri Geller afirmou que sequer conversou com Fávaro sobre demissão e ficou sabendo pela imprensa
A demissão de Neri Geller (PP) da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi oficializada nesta quarta-feira (12). A portaria, assinada pelo ministro da Casa Civil Rui Costa (PT-BA) foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em meio ao processo de anulação do leilão de arroz da Conab.
Reprodução
Na manhã de ontem (11), o ministro da Agricultura e Pecuária Carlos Fávaro (PSD) chegou a anunciar que Neri Geller deixaria o cargo por vontade própria após o cancelamento da compra por suspeitas de irregularidades. No entanto, o agora ex-secretário negou e disse não ter pedido demissão.
Em entrevista à Carta Capital, Neri Geller afirmou que sequer conversou com Fávaro sobre o tema. Também declarou que ficou sabendo da demissão pela imprensa.
A portaria de exoneração não traz a expressão “a pedido”, como ocorre, via de regra, quando o funcionário opta por deixar o cargo.
Ex-ministro da Agricultura e ex-deputado federal por Mato Grosso, Neri Geller deixa o Mapa sob uma suspeita de conflito de interesses no processo de aquisição de arroz.
Na semana passada, visando conter uma eventual alta de preços ou desabastecimento do item, o Governo Federal promoveu a compra de 263 mil toneladas de arroz em leilão promovido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O diretor de Abastecimento do órgão, Thiago dos Santos, é uma indicação de Neri Geller.
Além disso, a Foco Corretora de Grãos, uma das principais corretoras do leilão, que arrematou 9 dos 15 lotes comercializados, é do empresário Robson Almeida de França, que foi assessor parlamentar de Neri Geller na Câmara dos Deputados e é sócio de Marcello Geller, filho do ex-secretário.
Antes de anunciar a demissão, Fávaro compartilhou os argumentos do secretário em pronunciamento à imprensa. “Ele fez uma ponderação de que quando o filho dele estabeleceu a sociedade com essa corretora lá de Mato Grosso, ele não era secretário de Política Agrícola e, portanto, não tinha conflito. E que essa empresa não está operando, não participou do leilão, não fez nenhuma operação, e isso é fato também”, disse Fávarpo
No processo de compra do arroz há outra suspeita de irregularidade. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o leilão teve os lotes arrematados por empresas sem experiência no mercado de arroz. A principal compradora dos lotes de arroz é uma empresa com sede em Macapá, no Amapá, que trabalha no mercado de leite e laticínios.
O presidente da Conab, Edegar Pretto (PT-RS), repercutiu a suspeita ao anunciar a anulação do processo de compra do alimento. “Pretendemos fazer um novo leilão, quem sabe em outros modelos, para que a gente possa ter garantia que vamos contratar empresa com capacidade técnica e financeira”, disse Pretto. “A decisão é anular esse leilão e proceder um novo, mais ajustado”, declarou.
Além da decisão de cancelar o polêmico leilão para a compra de arroz importado, o presidente da República Lula (PT) quer medidas enérgicas contra todos envolvidos. Ontem, durante a reunião com os ministros da articulação política do Governo, pediu o afastamento e a investigação pela Polícia Federal de todos os envolvidos no processo do leilão. (Com informações da Carta Capital)