Cuiabá, 17/10/2026

Mauro lamenta prisão de Bolsonaro e diz: Qual crime efetivamente cometeu?

Governador critica prisão de Bolsonaro, questiona narrativa de golpe e volta a defender anistia

Montagem/Vinícius Schmidt/Metrópoles

O governador Mauro Mendes (União) lamentou o fato de, mais uma vez, um ex-presidente da República ser preso no Brasil. Desde a redemocratização do país, em 1985, quatro ex-presidentes da República foram presos: Fernando Collor, Lula da Silva, Michel Temer e, agora, Jair Bolsonaro (PL). para Mauro, a situação de Bolsonaro apenas aprofunda as crises institucionais e políticas que têm dominado grande parte da atenção dos agentes públicos, que deveriam estar preocupados com os problemas reais que afligem a população — numa referência à mobilização do Congresso e ao travamento de pautas do governo Lula.

Questionado sobre a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, decretada após tentativa de violar a tornozeleira eletrônica com um ferro quente, Mauro questionou qual crime o ex-presidente teria cometido de forma efetiva e avaliou que a narrativa de tentativa de golpe não se sustenta.

“Você viu esse golpe? Você viu algum tiro sendo dado? Você viu alguma coisa real no mundo real acontecendo? Nem você, nem eu e nenhum brasileiro vimos”, afirmou, sem entrar no mérito do descumprimento das regras da tornozeleira.

Em seguida, o chefe do Paiaguás — aliado de Bolsonaro e que aguardava o apoio do ex-presidente para disputar o Senado — defendeu que a anistia é a melhor saída para pacificar o país. Mauro argumentou que, assim como Bolsonaro, outras pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023 foram, segundo ele, condenadas injustamente por tentativa de golpe de Estado.

“Eu não vi nenhum golpe sendo praticado no país. Eu vi, no dia 8 de janeiro, milhares de brasileiros revoltados, indignados, que cometeram crimes — porque vandalismo é crime, invadir e depredar patrimônio é crime, mereceu pena. Mas discordo que seja 14, 16 anos. Não vi generais praticando golpe, não vi tiro, tanque na rua, nenhum ato concreto. Pensar algo errado é crime? Alguém já foi condenado por isso no Brasil?”, declarou, dizendo lamentar “profundamente este capítulo ruim” da política nacional.

Por fim, Mauro voltou a defender a anistia, citando que crimes mais graves já foram perdoados no Brasil. “O Brasil já fez isso na sua história. Já anistiou sequestrador, assaltante de banco. Já vi o MST invadir várias vezes o Congresso Nacional e não aconteceu nada com eles. É dar o mesmo tratamento que já foi dado em algum momento na história e botar um ponto final nessa história. Senão, vamos continuar discutindo isso por mais um ou dois anos, enquanto os problemas reais deixam de receber a atenção necessária dos políticos e de todos nós brasileiros”, completou.