Secretário rebate Aras e afirma que cenário em MT é o melhor possível
Secretario convocou coletiva de imprensa neste domingo apenas para dizer que a situação no estado está controlada
BEATRIZ PASSOS/RDNEWS
O Secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Alexandre Bustamante, rebateu o procurador-geral da República, Augusto Aras, e negou que os protestos em defesa do presidente Jair Bolsonaro (PL) em Mato Grosso estejam beirando o caos. Em coletiva de imprensa neste domingo (06), o chefe da Sesp garantiu que todos os trechos das rodovias federais no estado estão desbloqueados e que o “cenário é o melhor possível”.
Em ofício encaminhado neste sábado (5) ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, Augusto Aras reporta informações recebidas da unidade do Ministério Público Federal (MPF), há manifestações na região de Guarantã do Norte, fechando ponte de acesso a municípios próximos a BR-163. Além disso, nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sinop e Comodoro, embora os bloqueios tenham sido desfeitos, há sinais da organização de novos bloqueios. Circulam também notícias de que um comboio de 200 caminhões está se deslocando, em alta velocidade, de Sorriso para Cuiabá, com o intuito de paralisar a capital mato-grossense.
Na tarde deste domingo, ao lado de representantes da Segurança do Estado e do secretário Nacional de Segurança Pública, Carlos Paim, Bustamante também ressaltou que entende o questionamento de Augusto Aras, mas enxerga uma situação de tranquilidade no estado.
“Nós já tivemos a beira do caos, então neste momento está bom. A Polícia é boa por causa disso, sai de uma situação de crime, para o melhor cenário possível, que é o que está acontecendo hoje. A gente entende que ele (o procurador), de Brasília, recebe as informações, analisa e pede informações. Essas informações, a gente realmente está repassando e demonstrando que o trabalho aqui está sendo feito de acordo com a necessidade que cada caso requer”, garantiu o Secretária Estadual.
Mesmo em proporções menores do que a que começou, as manifestações contra a vitória do presidente eleito Luis Inácio Lula da Silva (PT) ainda não tiveram fim em Mato Grosso. Há 7 dias, caminhoneiros, cidadãos e alguns comerciantes vêm pedindo por “intervenção federal”, em um movimento denominado "desobediência civil”.
BEATRIZ PASSOS/RDNEWS
Direito do Cidadão
De acordo com Bustamante, as manifestações são direito do cidadão, desde que não impeça o ir e vir da sociedade, embora os atos tenham sido considerados antidemocráticos. Osecretário argumentou que numa pauta ou liderança se apresentou para reivindicar algo oficialmente.
Quando Mato Grosso chegou a ter mais de 41 pontos de rodovias bloqueados, o Supremo Tribunal Federal (STF) exigiu que fossem tomadas providências. Neste sentido, a Polícia Rodoviária Federal acionou o efetivo e começou a desarticulação dos movimentos na BRs, alguns grupos ofereceram maior resistência e a tropa de choque foi acionada.
No entanto, os manifestantes insistiram em manter o ato, mesmo após apelo oficial do presidente Bolsonaro para que as vias fossem liberadas. Com o policiamento mais incisivo, os participantes dos atos ocuparam as margens das BRs e desde então ameaçam a retomar o movimento de bloqueio total. Em alguns pontos já foram registrados casos de bloqueios parciais, que logo foram desmobilizados.
Sobre este casos, o secretário de Segurança afirmou que é competência do município monitorar a presença de manifestantes nas margens das estradas. Caso o município não consiga controlar os participantes, a Polícia Rodoviária pode entrar em ação.
Devido a essa incerteza sobre os próximos passos dos manifestantes, Bustamante revelou que a situação das vias, até mesmo dentro das cidades, como a Avenida do CPA em Cuiabá - que está sendo ponto de encontro de várias caravanas desde a última sexta (4) - é imprevisível. ”O movimento é muito dinâmico [...] Agora as vias não podem estar ocupadas, nenhuma via vai estar ocupada. Pode diminuir o fluxo, mas nós temos alternativas”, explicou o secretário.