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CORTE DE GASTOS

Pivetta prepara reforma administrativa e não descarta reduzir secretarias

Plano é elaborado por equipe de servidores de carreira e deve ser apresentado ao governador até o fim da próxima semana

Gláucio Nogueira e Kleyton Agostinho

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) prepara uma reforma administrativa para reorganizar a estrutura do Governo de Mato Grosso, reduzir a burocracia e ampliar o aproveitamento dos servidores de carreira. O plano está sendo elaborado por uma equipe de cerca de 10 técnicos do próprio Estado e deve ser apresentado ao governador até o fim da próxima semana.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (21), Pivetta afirmou que ainda não decidiu se reduzirá o número de secretarias. A possibilidade está em análise, mas o governador sinalizou que a principal mudança pode ocorrer na organização interna da máquina pública, com equipes compartilhadas entre pastas e a centralização de serviços, como compras, engenharia e assessoria jurídica.

Mayke Toscano / Secom-MT

Otaviano Pivetta

“É possível que a gente mantenha o número de secretarias, mas com um organograma mais vertical, com menos burocracia, menos gente, trabalhar mais com os quadros do Estado, que já são de carreira”, afirmou.

A proposta, segundo Pivetta, não se limita à alteração de nomes e estruturas formais. O governador defendeu uma reorganização que resulte em redução efetiva de custos e aumento da eficiência administrativa, em vez de mudanças que preservem o tamanho da máquina pública.

“Muitas vezes, tem essas medidas que são muito midiáticas, de corta, corta, corta, mas mantém o número de pessoas, mantém os gastos. Só diminui as nomenclaturas, mas mantém a mesma estrutura”, criticou.

Centralização

Entre as medidas em estudo está a integração de equipes que hoje atuam separadamente em diferentes secretarias. A ideia é concentrar determinadas atividades e compartilhar profissionais, evitando estruturas duplicadas e aproveitando o conhecimento técnico já existente no funcionalismo estadual.

“Uma central de compras, uma central de engenharia, coisas que vocês fariam nas empresas de vocês, nós faremos aqui no Estado. Mas equipamentos são os mesmos. Conhecimento todos têm, né? Colocar todos os jornalistas numa sala, muito provavelmente sairão perguntas muito mais criativas do que se fosse um só, né? Então, sinergia e integração das equipes”, explicou.

O governador também indicou que a reorganização poderá atingir cargos ocupados por pessoas escolhidas para funções de confiança. Sem detalhar quais áreas serão afetadas, ele evitou falar em demissões, mas admitiu a possibilidade de substituições. “Eu não vou falar de demissão. Algumas pessoas serão desconvidadas, talvez”, declarou.

Pivetta afirmou ainda que o trabalho de enxugamento da máquina já está em andamento e envolve outras frentes, como a revisão da frota de veículos, a simplificação de processos e a reforma administrativa. “Não é só redução na máquina. É veículos, é reforma administrativa, simplificação dos processos. Muitas coisas são possíveis. Nós vamos fazer tudo que é possível”, disse.

Perda de receita

A reorganização administrativa também ocorre em um cenário de pressão sobre as contas estaduais. Pivetta afirmou que Mato Grosso deverá perder cerca de R$ 1,5 bilhão por ano nos próximos quatro anos, a partir de 2027, recursos que deixam de entrar nos cofres públicos com as mudanças no Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) o que exige atenção aos gastos públicos sem comprometer a capacidade de investimento do Estado.

Angelo Varela/AL

plenario assembleia

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“Nós vamos perder nos quatro anos R$ 1,5 bilhão por ano, né? Já a partir do ano que vem. E o Estado continua um Estado que demanda muito investimento em infraestrutura. Ainda as nossas cidades não são cidades prontas para o povo viver”, afirmou.

Nesse contexto, o governador defendeu a redução do peso da estrutura estatal sobre os contribuintes e a busca por maior eficiência na prestação dos serviços públicos. “Temos que diminuir o peso do Estado sobre o lombo do trabalhador, e nós faremos isso”, declarou.

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