Os vereadores por Cuiabá Alex Rodrigues (Podemos) e Ilde Taques (Podemos) foram flagrados pela Rotam com R$ 40 mil em dinheiro logo após saírem de um churrasco organizado, em maio deste ano, pelo vereador de Várzea Grande Wanderley Cerqueira (MDB), presidente da Mesa Diretora no biênio 2025-2026, que tenta a reeleição para o biênio 2027-2028.
A informação consta em relatório técnico do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ao qual o
teve acesso. O documento embasou a Operação Cathedra Venalis, deflagrada nessa terça-feira (20).
Uma denúncia anônima encaminhada ao Gaeco apontava o suposto envolvimento de vários parlamentares em crimes de ameaça, extorsão, chantagem, corrupção e cárcere privado, entre outros. O Blog do Romilson publicou que Wanderley cooptou 12 dos 23 parlamentares para ser reeleito presidente da Mesa e os manteve “confinados” na chácara. Eles só saíram do local no dia da eleição, realizada em 14 de maio.
Conforme o documento, Alex Rodrigues e Ilde Taques estavam em um Volkswagen T-Cross quando foram abordados por uma equipe da Rotam ao saírem do local. A abordagem ocorreu sob a suspeita de que o veículo estaria sendo utilizado para transportar armas e valores em espécie.
Durante a revista no carro, os policiais localizaram R$ 40 mil em espécie. Os ocupantes alegaram que o dinheiro era proveniente de um empréstimo entre particulares.
Nessa terça-feira, após a operação, os parlamentares foram questionados pela imprensa sobre a presença no churrasco e a origem do dinheiro.
Alex Rodrigues confirmou que esteve na confraternização, mas afirmou que permaneceu no local por duas horas, a convite do vereador Dr. Miguel Júnior (Cidadania), de quem é amigo pessoal. “Eu estava no almoço na chácara dos vereadores, a convite do vereador Miguel, que é um grande amigo, grande parceiro. Fiquei lá em torno de duas horas. Ele me convidou e eu fui, depois voltei e vim embora. Eu fui para confraternizar mesmo”, salientou.
“Acredito que eu estava no lugar errado, na hora errada. Não tem outra explicação. Eu tenho quase dois anos de mandato, tenho uma conduta muito coerente na Câmara Municipal, nunca fui envolvido em nenhum escândalo. Também, os quase quatro anos que eu fiquei de secretário adjunto de Obras, não tem nada no meu nome, nunca saiu nada na imprensa no meu nome”, acrescentou.
Ele também disse que, enquanto esteve no local, a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande não foi mencionada. “Foi um almoço mesmo, bem de confraternização mesmo. O tempo que a gente ficou lá, a gente conversou, só se confraternizou mesmo”, assegurou.
Ilde também confirmou a presença no churrasco, mas afirmou que não participou de nenhuma negociação para a eleição da Mesa Diretora da Câmara da segunda maior cidade de Mato Grosso.
"Eu não participei do processo eleitoral da Câmara de Várzea Grande. Não participei de nenhuma negociata, de nenhuma conversa, de nenhum apoio. Apenas fui no almoço a convite, que era apenas uma confraternização. Participei da confraternização e fui embora", garante Ilde - eleito presidente da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027/2028.
Sobre o dinheiro, Ilde se limitou a dizer que “nada ilícito foi encontrado”. “Não foi aprendido nada ilegal, nem na abordagem, nem na minha casa”, resumiu.
Operação Cathedra Venalis
O Gaeco deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços relacionados aos investigados nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá. São eles:
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Cilcinho (PV);
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Braz Jaciro (PSDB);
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Alessandro Moreira (MDB);
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Kleberton Feitoza (PSB);
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Enfermeiro Emerson (PP);
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Dr. Miguel Júnior (Cidadania);
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Wender Madureira (Republicanos);
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Lucélia Oliveira (Agir);
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Gisa Barros (Podemos);
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Wanderley Cerqueira (MDB);
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Raul Curvo (Republicanos);
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Sargento Galibert (MDB);
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Rogerinho Dakar (PDSB);
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Ilde Taques (Podemos) - Cuiabá
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Alex Rodrigues (Podemos) - Cuiabá
Também foram alvos a diretora financeira da Câmara e um secretário legislativo. A apuração tem como foco possíveis irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. As medidas judiciais visam reunir novos elementos de prova para o aprofundamento dos trabalhos conduzidos pelo Gaeco, que investiga a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a Administração Pública.
As diligências decorrem de apuração sobre a atuação estruturada de um grupo que teria se dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos, práticas de corrupção e outras irregularidades com potencial impacto sobre atividades da administração pública municipal.
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