Apontada como uma das lideranças do Comando Vermelho, no Norte de Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, foi transferida de Mato Grosso do Sul para Cuiabá nesta terça-feira (20) sob forte esquema de segurança. O translado ocorreu quase um mês após a recaptura na Bolívia. Foragida desde o ano passado, ela integrava a lista dos criminosos mais procurados do Brasil.
Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), para onde foi encaminhada após a pisão no país estrangeiro. A entrada dela na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) sob o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão da criminosa no RDD pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada. Segundo a Polícia, o regime prevê condições especiais de custódia e restrições previstas na legislação, considerando os fundamentos apresentados no processo e a necessidade de segurança do sistema penitenciário.
Conforme publicado pelo
, mesmo quando estava presa e depois de fugir, Angeliquinha ela continuava comandando o crime em Alta Floresta (a 789 km de Cuiabá) e cidades próximas, sendo apontada como responsável por 80% dos homicídios praticados pelo CV na região.
Em Santa Cruz de La Sierra, a foragida estaria realizando procedimentos estéticos com o objetivo de mudar suas características faciais para tentar enganar a polícia. Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), ela teria realizado mais de cinco procedimentos no rosto e apresentou uma documentação falsa quando foi presa. No entanto, a identificação visual dela já havia sido feita.
Captura internacional
Angeliquinha foi localizada e capturada em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, em ação integrada da Polícia Civil de Mato Grosso com a Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) da Bolívia. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Após a captura pelas autoridades bolivianas, no dia 24 de setembro, ela foi entregue à Polícia Federal brasileira e encaminhada provisoriamente para a unidade prisional feminina de Corumbá, onde permaneceu aguardando o recambiamento para Mato Grosso.
Apontada pelas investigações como uma das lideranças de uma facção criminosa, com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e região, Angeliquinha é investigada por envolvimento em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à coordenação de ações criminosas.
A investigada possui condenações que ultrapassam 260 anos de reclusão e mandados de prisão expedidos em diferentes ações penais e investigações.
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