A investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que embasou a Operação Cathedra Venalis, deflagrada nesta terça (20), começou após um churrasco organizado em maio deste ano pelo vereador Wanderley Cerqueira (MDB), presidente da Mesa Diretora no biênio 2025-2026 e que tenta reeleição para o biênio 2027-2028.
Na época, foi tirada uma foto que mostra Wanderley e os vereadores Kleberton Feitoza (PSB), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Enfermeiro Emerson (PP), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Wender Madureira (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Wanderley Cerqueira (MDB), Lucélia Oliveira (Agir), Sargento Galibert (MDB) e Raul Curvo (Republicanos).
Horas após a divulgação da imagem, uma denúncia anônima foi feita ao Gaeco e denunciava os parlamentares por supostamente cometer crimes de ameaça, extorsão, chantagem, corrupção, cárcere privado e entre outros.
O Blog do Romilson publicou que Wanderley cooptou 12 dos 23 parlamentares para ser reeleito presidente da Mesa e os deixou “confinados” na chácara. Eles só saíram de lá no dia da eleição.
Segundo a denúncia anônima, o grupo tenta se manter no poder de qualquer maneira à frente da Câmara Municipal, com a intenção de cassar o mandato da prefeita. Assim, endossa a veiculação de áudios vazados que detalham parte do suposto plano.
A denúncia anônima diz ainda que isolamento dos parlamentares ocorre para "acertar" a suposta compra de votos para reeleger Wanderley e claro, lotear cargos da gestão com a mobilização de queda da prefeita.
A eleição foi realizada em 14 de maio e depois foi cancelada por decisão do Supremo por desrespeito ao marco temporal estabelecido para esse tipo de definição.
A operação
O Gaeco deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços relacionados aos investigados nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá. São eles: Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Kleberton Feitoza (PSB), Enfermeiro Emerson (PP), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Wender Madureira (Republicanos), Lucélia Oliveira (Agir), Gisa Barros (Podemos), Wanderley Cerqueira (MDB), Raul Curvo (Republicanos), Sargento Galibert (MDB) e Rogerinho Dakar (PDSB).
Também foram alvos a diretora financeira da Câmara e um secretário legislativo. Além deles, os vereadores por Cuiabá Ilde Taques (Podemos), presidente eleito da Câmara e o vereador Alex Rodrigues (Podemos).
A apuração tem como foco possíveis irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. As medidas judiciais visam reunir novos elementos de prova para o aprofundamento dos trabalhos conduzidos pelo Gaeco, que investiga a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a Administração Pública.
As diligências decorrem de apuração sobre a atuação estruturada de um grupo que teria se dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos, práticas de corrupção e outras irregularidades com potencial impacto sobre atividades da administração pública municipal.
De acordo com a defesa de Ilde, o parlamentar ainda não teve acesso ao processo e, por isso, não pode adiantar nenhuma declaração sobre o mérito da investigação. “De início, cumpre esclarecer que não houve qualquer reserva da parte do vereador que colaborou com o cumprimento do mandado e acompanhou os agentes que não encontraram qualquer elemento relevante que sugira relação com fatos irregulares”, pontuou o advogado Eduardo Mahon.
Veja a íntegra da nota da defesa de Ilde
O vereador Ilde Taques informa à sociedade que, no dia de hoje, recebeu agentes do Gaeco-MT para o cumprimento de mandado de busca e apreensão na sua residência.
De início, cumpre esclarecer que não houve qualquer reserva da parte do vereador que colaborou com o cumprimento do mandado e acompanhou os agentes que não encontraram qualquer elemento relevante que sugira relação com fatos irregulares.
O vereador Ilde Taques ainda não teve acesso ao processo que tramita de forma sigilosa e, portanto, não pode adiantar declarações sobre o mérito das investigações.
Certo de que a sociedade cuiabana e mato-grossense merece respeito por meio de informações públicas e confiáveis, o vereador Ilde Taques coloca-se à inteira disposição das autoridades judiciárias para continuar prestando suas declarações e seguindo normalmente em sua vida parlamentar.
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