Alan cita caixa 2 de campanha de Taques e detalha; governador nega
Gilberto Leite/Rdnews
Empresário Alan Malouf relata ao Gaeco que se encontrou com o governador Pedro Taques
Em depoimento prestado ao Gaeco, em Cuiabá, na última sexta (16), o empresário Alan Malouf relatou ter tido conversas com o governador Pedro Taques (PSDB) sobre um suposto débito não declarado da campanha eleitoral de 2014, bem como sobre a prisão do empresário e delator da Operação Rêmora, Giovani Guizardi.
Alan é proprietário do Buffet Leila Malouf e foi preso na quarta (14), na deflagração da 3ª fase da Operação Rêmora, denominada “Grão Vizir”, que investiga esquema de propina e fraudes em licitações na secretaria estadual de Educação (Seduc).
Ao Gaeco, Malouf contou que entre março ou abril de 2014, Pedro Taques o procurou em sua residência dizendo que tinha vontade de se candidatar ao Governo e teria lhe solicitado ajuda para conseguir “apoio de agremiação de pessoas”. O empresário confirmou fazer parte do grupo de apoio a Taques, assim como outros empresários.
Conforme o depoimento, ao final da campanha eleitoral daquele ano, Taques teria lhe perguntado se possuía alguma pretensão em ocupar um cargo no Executivo, o que foi recusado. Outro assunto supostamente tratado entre ambos foi o débito da campanha eleitoral não declarado, pelo qual o governador teria solicitado apoio para o pagamento, de modo que Alan relata tê-lo ajudado, mas não se recorda com qual quantia.
Alan disse ainda que, a pedido de Taques e do primo, o secretário Paulo Taques (Casa Civil), realizou o evento de posse do governador, sendo que o ex-secretário Pedro Nadaf teria lhe garantido que receberia em nome de uma empresa denominada Kamil Eventos, mas alega nunca ter recebido qualquer valor. “[...] uma vez que Paulo Taques disse ao interrogando que não poderia receber por esta empresa, pois ela estaria sendo investigada, que nunca mais recebeu nada do governo referente a essa questão”, diz trecho do depoimento.
Após tomar conhecimento da prisão de Guizardi pela mídia, Alan diz ter enviado uma mensagem para Taques, que o indicou que comparecesse no Palácio. No referido local, encontrou o governador e Paulo Taques, e disse aos mesmos que Guizardi teria dado apoio econômico à campanha, o que seria de conhecimento de ambos, bem como informou aos gestores que se beneficiava do esquema.
Malouf declarou que tanto o governador quanto o primo disseram que “iriam dar um jeito de resolver”, que apesar de não observar a suposta movimentação prometida, e não viu surpresa neles pela notícia da prisão. Outras conversas entre o governador e Alan teriam ocorrido após a prisão de Permínio, sobre a Rêmora, sendo que Taques também “não demonstrou surpresa com os fatos, apenas dizia que estava cuidando da questão da prisão de Guizardi e Permínio”.
Outro lado
Antes mesmo do depoimento de Alan Malouf vir à tona, o governo emitiu nota, na noite dessa segunda (19), visando esclarecer que Taques e o secretário da Casa Civil negam enfaticamente as afirmações “levianas e absurdas” do investigado, sobre a “fantasiosa existência de valores não contabilizados (o chamado “caixa dois”) na campanha de 2014”.
Neste sentido, reiteram que todas as movimentações financeiras daquele pleito e que encontram-se devidamente registradas na Prestação de Contas do PDT, partido pelo qual Taques disputou àquelas eleições.
Governador e secretário classificam de leviana afirmação sobre caixa 2