Cuiabá, 15/10/2026

Defesa diz que conselheiro já havia esclarecido cheques em depoimento

A defesa do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) Waldir Teis afirmou que a prisão dele, feita hoje (1º), é desnecessária. A razão é que o conselheiro prestou depoimento em 18 de junho à Polícia Federal e teria explicado a situação envolvendo os cheques.

Teis foi preso pela PF e encaminhado à sede do órgão. Ele está sendo ouvido novamente pelo delegado Wilson Rodrigues. Deve ser encaminhado para exame de corpo de delito e, depois, ao Centro de Custódia da Capital (CCC).

O advogado Diógenes Curado faz a defesa do conselheiro preso hoje

O Ministério Público Federal (MPF) e a PF afirmam que em 17 de junho, durante a deflagração da Operação Gerion, 16ª fase da Ararath, Waldir Teis teria descido correndo 16 andares de escada do edifício Maruanã, onde mantém escritório, e teria tentado descartar cheques enquanto procuradores e agentes cumpriam mandado de busca e apreensão determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O conselheiro foi à sede da PF no dia seguinte acompanhado do advogado Diógenes Curado e prestou esclarecimentos. De acordo o defensor, os cheques em questão pertenciam a um genro do conselheiro. A ação desesperada teria ocorrido porque “a família vem sofrendo muito desde o afastamento” de Waldir Teis do cargo de conselheiro e ele teria ficado “nervoso e desesperado por conta disso”. Os cheques não teriam relação com quaisquer ilícitos.

O pedido de prisão preventiva teria sido feito pela PF e pelo MPF antes do depoimento, em que explicou a situação dos cheques, segundo a defesa de Teis. O advogado informou que deve entrar com um habeas corpus para tentar reverter a decisão do ministro do STJ Raul Araújo.

Cheques de R$ 450 mil

O MPF e a PF filmaram a descida de Teis pelas escadas do edifício. Ele teria tentado jogar os cheques em uma lixeira do prédio. Segundo o MPF, só não houve prisão em flagrante porque o conselheiro do TCE-MT tem imunidade que restringe prisão quando se tratar de crime afiançável, semelhante ao que acontece com magistrados.

Os canhotos de cheques, que foram recuperados pela PF, somavam mais de R$ 450 mil. A investigação aponta que os documentos são de empresas ligadas à organização criminosa da qual o conselheiro faria parte. Teis nega.